
Maputo, 24 abr 2023 (Lusa)- A organização moçambicana Centro para a Democracia e Desenvolvimento (CDD) criticou hoje as autoridades por ainda não terem divulgado os “esclarecimentos” que o Presidente da República prometeu sobre a “repressão violenta” das marchas de homenagem ao ‘rapper’ Azagaia”.
“Trinta dias depois da promessa de Filipe Nyusi, ainda não há esclarecimento sobre a repressão violenta da marcha do dia 18 de março”, referiu o CDD, em comunicado.
O Ministério do Interior, entidade que ficou com a missão de apurar as circunstâncias da “atuação brutal da polÃcia”, ainda não se pronunciou sobre o assunto, avança a nota.
Para a organização não-governamental (ONG), o silêncio em torno do assunto segue um padrão das autoridades moçambicanas, caracterizado por um “histórico de incumprimento de promessas por parte do Governo de Filipe Nyusi”.
O CDD recordou que cinco dias depois dos acontecimentos de 18 de março, o Presidente da República reagiu à s ocorrências, através de um discurso em que condenava a violência policial e criticava pessoas a quem chamou de “infiltrados” e “gente mal-intencionada” entre os manifestantes.
“Face aos acontecimentos na capital do paÃs, Maputo, orientamos o Ministério do Interior para que proceda com uma averiguação das razões que levaram a polÃcia a adotar uma postura de confronto fÃsico com os jovens. Igualmente, identificar aqueles que procuram se aproveitar da virtude individual do jovem ‘rapper’ Azagaia para atingir os seus intentos”, afirmou, na altura, o chefe de Estado moçambicano.
O CDD assinalou que as forças policiais violaram direitos fundamentais e a Constituição da República, ao agredirem marchantes pacÃficos, em várias cidades do paÃs.
Na semana passada, a procuradora-geral da República (PGR), Beatriz Buchili, disse no parlamento que quatro polÃcias e 10 civis são alvo de processos-crime, na sequência da repressão policial à s manifestações de 18 de março.
“Relativamente à s ocorrências do dia 18 de março de 2023, as mesmas apontam para situações de violação da lei, o que conduziu à instauração de processos-crime com vista ao esclarecimento dos factos e à responsabilização dos implicados”, afirmou a PGR.
A Lusa contactou a Presidência da República e o Ministério do Interior, que ainda não se pronunciaram sobre as crÃticas do CDD.
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