
Lisboa, 21 abr 2023 (Lusa) — Algumas dezenas de polÃcias assinalaram hoje os 34 anos do episódio que ficou conhecido como “secos e molhados” com uma concentração em Lisboa para chamar a atenção do Governo para os problemas que continuam por resolver na PSP.
“Passados 34 anos dos ‘secos e molhados’ ainda falta conquistar muita coisa e estamos a falar de direitos essenciais”, disse à agência Lusa o presidente do Sindicato dos Profissionais da PolÃcia (SPP/PSP), Paulo Macedo, durante a concentração em frente à Presidência do Conselho de Ministros.
A concentração para assinalar os 34 anos da carga policial sobre elementos da PSP, conhecida por “secos e molhados” foi convocada pelo SPP, mas outros dirigentes sindicais também marcaram presença no protesto, como o Sindicato Nacional de PolÃcia, a Associação Sindical Autónoma de PolÃcia e a Associação Representativa dos PolÃcias.
Paulo Macedo disse que o SPP escolheu a Presidência do Conselho de Ministros para fazer o protesto, em vez do Ministério da Administração Interna (MAI), porque “é um local simbólico” e os problemas dos polÃcias passam por todo o Governo.
“Não só o ministro da Administração Interna tem responsabilidades acrescidas e especiais no que diz respeito à PSP, mas sim todos os ministros, a começar pelo primeiro-ministro, têm a obrigação de resolver os problemas dos polÃcias, que não têm sido resolvidos até aqui”, disse.
Entre os problemas e reivindicações estão, segundo o presidente da SPP, a remuneração “muito baixa” na PSP, que “não é condizente com a profissão de risco”, pré-aposentação de acordo com estatuto, aumento de vagas para agentes e um sistema de saúde digno, uma vez que pagam mensalmente um valor elevado para este subsistema.
Paulo Macedo precisou que “há um estatuto aprovado que não é cumprido, em que os polÃcias não conseguem ascender à pré-aposentação de acordo com que está plasmado desse documento, ou seja, 55 anos e 36 anos de serviço, o que os leva a permanecer na PSP muito para além disso” e lamentou que existam diariamente polÃcias agredidos e que o Governo “ainda não tenha feito nada para acautelar essa situação”.
O presidente do SPP frisou também que os polÃcias exigem “direito à greve”, sustentando que Portugal é um paÃs democrático, mas na PSP “não há o direito à greve”.
Como exemplo, referiu que recentemente a PSP passou a ter responsabilidades nos aeroportos no âmbito do processo de extinção do Serviço de Estrangeiros e Fronteiras (SEF), mas os inspetores do SEF “tinham direito à greve e ordenados muito mais elevados” e os polÃcias neste momento estão a efetuar as mesmas funções “com ordenados muito mais baixos e sem direito à greve”.
O SPP entregou na Presidência do Conselho de Ministros um caderno reivindicativo com os principais problemas dos polÃcias.
O episódio lembrado hoje aconteceu em 21 de abril de 1989, e foi a primeira vez que polÃcias (secos) usaram canhões de água contra outros polÃcias (molhados) que se manifestavam para exigir sobretudo liberdade sindical, uma folga semanal, transparência na justiça disciplinar com direito de defesa, melhores vencimentos e instalações.
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