
Nova Iorque, Estados Unidos, 13 abr 2023 (Lusa) – O ex-presidente norte-americano Donald Trump e o ‘seu’ ex-vice-presidente Mike Pence são esperados no arranque da convenção anual da National Rifle Association (NRA), principal grupo de ‘lobby’ pró-armas do paÃs, na sexta-feira.
A convenção anual da NRA acontecerá entre 14 e 16 de abril no Indiana Convention Center, em Indianápolis, a capital e a cidade mais populosa do estado norte-americano de Indiana, num momento em que os números da violência armada no paÃs não param de aumentar.
O principal evento da convenção é o Fórum de Liderança, agendado para a tarde de sexta-feira, onde Trump deverá falar presencialmente, enquanto os seus rivais na corrida à nomeação presidencial pelo Partido Republicano, o governador da Florida Ron DeSantis e a ex-governadora da Carolina do Sul Nikki Haley, contribuirão para este evento através de mensagens de vÃdeo pré-gravadas.
A lista de palestrantes confirmados inclui ainda destacados Republicanoso como o governador de New Hampshire, Chris Sununu, o senador Mike Braun e o ex-governador de Arkansas Asa Hutchinson.
O alinhamento da reunião anual da NRA em Indianápolis não parece ser afetado pelos recentes tiroteios em massa nos Estados Unidos, como o que aconteceu em Nashville no mês passado, em que morreram três crianças e três adultos numa escola cristã, ou o mais recente ataque em Louisville, no estado do Kentucky, onde um funcionário do Old National Bank matou a tiro cinco pessoas.
Os tiroteios reacenderam um debate sobre segurança e controlo de armas automáticas nos Estados Unidos, paÃs que já registou mais de 140 tiroteios em massa desde o inÃcio de 2023.
A organização sem fins lucrativos ‘Gun Violence Archive’ define um tiroteio em massa quando pelo menos quatro pessoas são baleadas, excluindo o atirador.
A NRA, o grupo de direitos de armas mais proeminente do paÃs, é frequentemente alvo de crÃticas devido à sua oposição determinada e feroz contra todos os esforços para reduzir ou restringir o acesso a armas automáticas no paÃs, apoiando-se num orçamento multimilionário para influenciar os membros do Congresso sobre a polÃtica de controlo de armas.
A decisão de Trump e Pence – ambos aspirantes à corrida à Casa Branca de 2024 – de comparecer ao evento em Indianápolis em 14 de abril ocorre num momento em que o campo das primárias Republicanas começa a tomar forma.
Em 2017, após ser eleito Presidente, Trump disse aos participantes da convenção da National Rifle Association que tinham “um verdadeiro amigo na Casa Branca”.
Já durante a sua campanha presidencial, Trump havia prometido acabar com os esforços do Presidente Barack Obama para fortalecer a verificação de antecedentes de portadores de armas e eliminar zonas livres de armas em escolas e bases militares.
A NRA gastou mais de 50 milhões de dólares (45,77 milhões de euros) em 2016 para apoiar a candidatura presidencial de Donald Trump e de vários candidatos Republicanos ao Senado, estabelecendo-se como uma força importante na eleição.
Por outro lado, o atual chefe de Estado, Joe Biden, tem lançado vários apelos para tentar travar a violência armada no paÃs, e tem criticado reiteradamente os Republicanos do Congresso por não alterarem as leis que regulam a posse de armas de fogo.
Biden tem pedido repetidamente aos Republicanos, que controlam a Câmara de Representantes (câmara baixa do parlamento) que proÃbam as metralhadoras e os carregadores de munições de grande capacidade, que tornam os ataques ainda mais mortÃferos.
Os Estados Unidos aprovaram em 1994 um veto federal à s metralhadoras no paÃs, mas em 2004 este expirou sem que o Congresso o renovasse.
O número de menores mortos por armas de fogo nos Estados Unidos aumentou 50% entre 2019 e 2021, de acordo com uma análise publicada pelo Pew Research Center do Centro de Controlo e Prevenção de Doenças (CDC).
Em 2019, antes da pandemia de covid-19, houve 1.732 mortes por armas de fogo entre menores de 18 anos no paÃs, um número que aumentou para 2.590 em 2021.
Tanto o número quanto a taxa de menores mortos por armas de fogo em 2021 representam o recorde desde pelo menos 1999, primeiro ano em que dados sobre mortalidade infantil por esta causa foram disponibilizados pelo CDC, destaca o estudo do Pew.
Paralelamente, também aumentou o número de mortes por armas de fogo entre a população em geral. Em 2019, registaram-se 39.707 óbitos e dois anos depois foram 48.830, mais 23%.
Além disso, um em cada cinco norte-americanos diz que teve um membro da famÃlia morto por uma arma de fogo, incluindo por suicÃdio, segundo um estudo divulgado esta semana.
O mesmo estudo, realizado pela organização sem fins lucrativos Kaiser Family Foundation, indica ainda que o mesmo número de cidadãos afirma ter sido diretamente ameaçado por uma arma de fogo, dados que evidenciam o elevado preço pago pelos Estados Unidos pela disseminação de armas de fogo no seu território e pela facilidade de acesso às mesmas.
Segundo o levantamento – conduzido entre uma amostra representativa de 1.271 norte-americanos com mais de 18 anos-, essa violência afeta desproporcionalmente cidadãos negros e hispânicos.
MYMM (ANC/PFT) // PDF
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