
Praia, 29 mar 2023 (Lusa) – Cabo Verde vai mapear e contar até 2026 a comunidade emigrada para potenciar a atração de investimento e competências para o arquipélago, conforme resolução aprovada pelo Governo e anunciada hoje.
O projeto de proposta de resolução que aprova o inÃcio do processo de mapeamento da diáspora cabo-verdiana, para fins de produção de estatÃsticas oficiais, foi aprovado na terça-feira em reunião do Conselho de Ministros e apresentado pelo Governo.
“Cabo Verde é um paÃs de forte emigração e conhecendo esta realidade o Governo assumiu no seu programa dar uma centralidade especial à diáspora. E essa centralidade é, acima de tudo, do ponto de vista económico, seja para a atração de investimento, seja para a atração das competências e qualificação da nossa diáspora”, anunciou, em conferência de imprensa, na Praia, a ministra da Presidência do Conselho de Ministros de Cabo Verde, Janine Lélis.
Este mapeamento vai ser conduzido pelo Instituto Nacional de EstatÃstica de Cabo Verde com o apoio das autoridades estatÃsticas dos paÃses onde a comunidade cabo-verdiana reside.
“Vai-se fazer esse mapeamento, que na verdade constituirá os dados estatÃsticos oficiais em relação à nossa diáspora. Dados que nós precisamos para poder conhecer melhor essa diáspora, saber onde é que ela se encontra, quais são os perfis dos membros que a compõem, para que, a partir desses dados, o Governo possa estar em condições de definir medidas de polÃticas públicas atendendo a reforçar ainda mais o processo de integração da nossa diáspora naquilo que é processo de desenvolvimento de Cabo Verde”, acrescentou a governante.
A população de Cabo Verde ronda os 500 mil habitantes, mas o Governo estimou recentemente que mais de um milhão e meio de cabo-verdianos vive na Europa e Estados Unidos da América (EUA), estando o sistema financeiro do arquipélago dependente das remessas desses emigrantes.
“Nós temos que considerar aquilo que é a contribuição que a diáspora representa para o próprio Produto Interno Bruto, ou seja, a nossa atividade económica nacional. Nós também temos que considerar aquilo que é o valor das remessas, que representam um grande valor para a nossa economia. E é neste contexto de valorização que se pensou fazer esse mapeamento, que vai acontecer até o final do ano de 2026”, disse ainda Janine Lélis.
O levantamento vai levar em conta todo o universo da emigração do arquipélago e vai arrancar, respetivamente, pelos paÃses com as maiores comunidades cabo-verdianas, casos dos EUA, França, Guiné-Bissau, Luxemburgo, Portugal e São Tomé e PrÃncipe.
“O que nós queremos, na verdade, é conhecer melhor, conhecer esses perfis, conhecer com detalhe, para que as medidas de polÃtica também possam ser promovidas de acordo com esse perfil, para, de facto, agregar valor ainda maior à quilo que é a grande contribuição que a nossa diáspora faz no processo de desenvolvimento”, concluiu a ministra.
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