
São Paulo, 28 mar 2023 (Lusa) – O Banco Central do Brasil disse hoje que o ambiente externo está deteriorado com os recentes episódios de crise em instituições bancárias nos Estados Unidos e na Europa, e que aumentou a incerteza e a volatilidade na economia mundial.
A afirmação consta da ata da reunião em que o Banco Central brasileiro decidiu, na semana passada, manter a taxa básica de juros do paÃs em 13,75% ao ano, contrapondo à s crÃticas do Governo do Presidente, Luiz Inácio Lula da Silva.
Segundo a ata da reunião, divulgada hoje, os mercados “exigem ser monitorizados” e as “economias centrais” devem “separar” os “objetivos e instrumentos” na “condução da polÃtica monetária”.
“Os dados recentes de atividade global e inflação permanecem resilientes e a polÃtica monetária nas economias centrais continua avançando em um caminho de contração”, além de “uma perspetiva de crescimento global abaixo do potencial”, apontou o documento.
No entanto, a ata destacou que “a flexibilidade da polÃtica de combate à covid-19 na China, um inverno mais ameno na Europa e a possibilidade de um abrandamento gradual do crescimento nos Estados Unidos suavizam o abrandamento da economia global”.
A nÃvel local, o órgão emissor defendeu que “o conjunto de indicadores” analisados ??continuam a corroborar um “cenário de abrandamento do crescimento já esperado”.
Segundo o Banco Central, o mercado de trabalho do Brasil “surpreendeu positivamente” em 2022, com uma taxa média de 9,3% ao longo do ano, e dá sinais de “moderação”, com “relativa estabilidade na taxa de desemprego.”
Para a autoridade monetária, a inflação ao consumidor no Brasil “continua elevada” e os “componentes mais sensÃveis” que apresentam “maior inércia inflacionária” diante do ciclo económico e da polÃtica monetária “mantêm-se acima da faixa compatÃvel.”
A inflação no Brasil fechou 2022 em 5,79% e segundo analistas de mercado consultados semanalmente pelo Banco Central, a expectativa é que para este ano fique em 6%, também acima da meta de 3,25%.
Assim, o Banco Central brasileiro justificou que a sua decisão de manter a atual taxa de juros será “compatÃvel com a estratégia de convergência da inflação para próximo da meta” e “sem prejudicar seu objetivo fundamental, que é a estabilidade de preços e a promoção do emprego”.
A divulgação da ata ocorre em meio à s duras crÃticas de Lula da Silva ao Banco Central por manter a taxa de juros referencial em 13,75% ao ano o que pode atrapalhar o crescimento do paÃs, que deve ser inferior a 1% neste ano.
O governante brasileiro tem acentuado as crÃticas ao presidente do Banco Central, Roberto Campos Neto, que tem mandato no órgão autónomo até 2024.
Setores da esquerda acusam Campos Neto de servir os interesses do ex-presidente Jair Bolsonaro que o indicou ao cargo e a quem apoiou, segundo os ‘media’ locais, em todas as etapas da eleição fazendo prognósticos.
Campos Neto foi fotografado a ir votar nas anteriores presidenciais vestido com as cores verde e amarelo, referência adotada pelos eleitores de Bolsonaro.
O presidente do Banco Central também foi apanhado a integrar um grupo numa plataforma de conversa eletrónica por ex-ministros do antigo Governo, depois da posse de Lula da Silva, o que aumentou as suspeitas de quem coloca em causa a sua isenção.
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