
Lisboa, 09 mar 2023 (Lusa) — A greve dos médicos regista hoje uma adesão de entre 85% e 90% nos centros de saúde e hospitais, estimou a Federação Nacional dos Médicos (FNAM), que espera que o Governo mude agora a sua estratégia nas negociações.
A presidente da FNAM adiantou à agência Lusa que, nos cuidados de saúde primários, a adesão dos médicos neste segundo e último dia da paralisação oscila entre os 85% e os 90%, com “muitos centros de saúde a 100%”.
Em relação aos hospitais, Joana Bordalo e Sá avançou que hoje a “adesão aumentou globalmente”, estando com nÃveis idênticos aos registados nos centros de saúde, mas com os blocos operatórios “quase todos a funcionar apenas com serviços mÃnimos, especialmente na área da ginecologia e obstetrÃcia”.
As consultas externas e as cirurgias programadas têm sido os serviços mais afetados por esta greve, referiu a dirigente sindical, que reconheceu ainda o transtorno provocado aos doentes ao longo dos dois dias de paralisação.
“Percebemos isso, mas acho que os doentes e utentes estão solidários connosco, porque isso também é uma luta para eles e por eles”, alegou Joana Bordalo e Sá.
Segundo disse, a FNAM ficaria satisfeita se, em consequência da greve, o Ministério da Saúde “mudasse de estratégia” já na próxima reunião agendada para 16 de março, no sentido de tornar as negociações entre as duas partes “mais céleres e mais sérias”.
“A adesão demonstra que os médicos estão extremamente descontentes, mas também extremamente unidos na defesa dos seus direitos laborais, na luta por um salário melhor e por um Serviço Nacional de Saúde (SNS) onde querem ficar”, salientou Joana Bordalo e Sá.
Os médicos iniciaram na quarta-feira uma greve de dois dias para exigir a valorização da carreira e das tabelas salariais, numa altura em que sindicatos e Governo estão em negociações, mas ainda sem acordo após várias reuniões inconclusivas.
Esta greve foi convocada pelos sindicatos que integram a FNAM, mas não contou com o apoio do Sindicato Independente do Médicos (SIM), que se demarcou do protesto, alegando que não se justifica enquanto decorrem negociações com o Governo.
O protocolo negocial estabelecido entre as duas partes prevê que as negociações decorram até junho, mas os dois sindicatos têm exigido medidas estruturais urgentes e melhores condições de trabalho para permitir fixar e captar mais médicos para o SNS.
Entre as reivindicações da FNAM consta a renegociação da carreira médica e da respetiva grelha salarial, que inclua um horário base de 35 horas, a dedicação exclusiva opcional e majorada e a consideração do internato médico como primeiro grau da carreira.
A estrutura sindical pretende também a revisão das normas de organização e disciplina do trabalho médico, a reposição dos 25 dias úteis de férias por ano e dos cinco dias suplementares, quando forem gozados fora da época alta, assim como a redução do tempo normal de trabalho no serviço de urgência das 18 para as 12 horas.
Na quarta-feira, o ministro da Saúde, Manuel Pizarro, afirmou que respeita “em absoluto” a greve dos médicos e que a disponibilidade para continuar a negociar com os sindicatos “é total”.
“A intenção do Governo é negociar de boa-fé com os sindicatos dos médicos, como temos feito com os sindicatos das outras carreiras profissionais do SNS”, afirmou Manuel Pizarro em resposta à s questões levantadas por deputados na Comissão de Saúde, onde foi ouvido por requerimento do Chega e do PCP sobre as urgências.
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