Líder do grupo Wagner admite escassez de munições e exige mais a Moscovo

Moscovo, 20 fev 2023 (Lusa) — O fundador do grupo Wagner, Yevgeny Prigojin, admitiu hoje uma “fome total por munições” entre as fileiras dos mercenários destacados na região ucraniana do Donbass, exigindo mais projéteis ao Ministério da Defesa russo.

“Este é um problema muito sério. Certamente que há munições no país”, sublinhou Prigojin numa publicação no seu canal na rede social Telegram.

Prigojin, conhecido pelos seus laços estreitos com o Kremlin, reconheceu que, por agora, a Defesa russa tem ignorado todos os seus pedidos.

“Apesar dos meus conhecidos e dos meus contactos”, confessou.

O líder do grupo Wagner assegurou ainda que um mediador aludiu recentemente às “complicadas relações” que mantém com os governantes, referindo que para receber os equipamentos tem de “desculpar-se e subordinar-se”.

“Pedir desculpas? A quem? 140 milhões de russos, por favor, digam-me a quem me devo desculpar para que os meus rapazes morram duas vezes menos do que agora?”, questionou.

Prigojin enfatizou ainda que quando o general Serguei Surovikin comandava as forças russas que lutavam na Ucrânia “não havia problemas com munições”.

Sem mencionar, sugeriu que os problemas começaram quando a liderança da campanha foi assumida pelo chefe do Estado-Maior Valery Gerasimov.

Prigojin criticou Gerasimov em várias ocasiões, desde o início da intervenção militar russa, há um ano, pela falta de progressos na frente de combate.

O responsável do grupo Wagner lamentou que enquanto alguns comem com “talheres de prata” e mandam as suas filhas e netos de férias para o Dubai, “soldados russos estão a morrer na linha da frente”.

“Só peço que me deem munições”, retorquiu.

No passado, Prigojin acusou a Defesa russa de tentar roubar-lhe vitórias, como na operação para tomar o reduto ucraniano de Bakhmut, onde o grupo Wagner tomou várias cidades e diz que o Exército russo não deslocou uma única unidade.

Segundo a comunicação social, Prigojin parou de recrutar presos para lutar na Ucrânia por ordem do Ministério da Defesa, que, segundo alguns analistas, determinou que o grupo Wagner tivesse menos projeção nos ‘media’.

O Presidente russo, Vladimir Putin, recusou-se a atender às exigências de alguns deputados para legalizar empresas militares privadas, e determinou que as famílias dos mercenários fossem equiparadas às dos soldados e mobilizadas para receber benefícios sociais.

O grupo Wagner é um grupo privado criado por Prigojin, um homem de confiança do Presidente Vladimir Putin, que se dedica a combater em conflitos nos quais a Rússia é parte interessada.

Tornou-se influente em África, onde tem promovido a desinformação russa, construindo alianças com governos e obtendo acesso a petróleo, gás, ouro, diamantes e minerais valiosos.

O grupo mercenário instalou-se, nas últimas semanas, na parte oriental da Ucrânia, na região do Donbass, onde, segundo Moscovo, conseguiu avanços significativos para o exército russo.

O líder checheno, Ramzan Kadyrov, afirmou este domingo que quer criar a sua própria companhia de mercenários, por considerar necessárias as empresas militares privadas face ao trabalho desenvolvido pelo grupo Wagner na campanha militar na Ucrânia.

“Já podemos dizer com confiança que [o grupo] Wagner demonstrou a sua eficácia em termos militares e marcou uma posição no debate sobre a necessidade de empresas militares privadas”, argumentou Kadyrov, numa mensagem publicada na rede Telegram.

O líder da república russa, cujos homens também estão a lutar na Ucrânia e foram particularmente notados durante o cerco à cidade portuária de Mariupol, na primavera de 2022, sublinhou que “essas formações profissionais são necessárias” apesar de os mercenários não serem legalmente permitidos na Rússia.

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