
Lisboa, 08 fev 2023 (Lusa) – Portugal foi o segundo paÃs da OCDE no qual o rendimento real dos agregados familiares mais diminuiu entre o inÃcio da crise da pandemia e o terceiro trimestre de 2022, indicam os últimos números comparáveis disponÃveis da OCDE hoje divulgados.
De acordo com dados publicados hoje pela OCDE, o rendimento real ‘per capita’ (um indicador em que são deduzidos impostos e contribuições e acrescentados benefÃcios sociais) em Portugal caiu 4,14% entre o quarto trimestre de 2019 e o terceiro trimestre de 2022, decréscimo só ultrapassado pelo de Espanha, que foi de 7,85%.
Os decréscimos de Portugal e Espanha contrastam com o aumento global de 1,9% na OCDE nesse perÃodo para os 21 paÃses para os quais existem estatÃsticas disponÃveis.
DeclÃnios de menor magnitude foram também registados no Reino Unido (-3,94%), Finlândia (-1,80%), República Checa (-1,68%) e Dinamarca (-1,30%).
No outro extremo, os rendimentos reais aumentaram mais na Polónia (7,16%), Eslovénia (6,53%), Austrália (4,55%), Hungria (4,26%) e Canadá (4,09%).
“O rendimento familiar real ‘per capita’ excedeu os nÃveis da pandemia pré-Covid-19 no terceiro trimestre de 2022 em todos os paÃses da OCDE para os quais existem dados disponÃveis, exceto a República Checa, Dinamarca, Finlândia, Portugal, Espanha e Reino Unido”, disse a organização.
Os peritos da organização associam os maus resultados observados em Espanha e em Portugal à “lenta recuperação” do excedente bruto de exploração e do rendimento misto, que está normalmente ligado ao rendimento dos trabalhadores independentes.
No caso particular de Espanha e Portugal, os dois paÃses mais atrasados em termos de evolução do rendimento disponÃvel, a OCDE disse que o resultado pode ser parcialmente explicado “pela lenta recuperação do excedente bruto de exploração e do rendimento misto das famÃlias desde os primeiros dias da pandemia”.
“Este tipo de rendimento está geralmente associado ao autoemprego e, na maioria dos paÃses, contribui com cerca de um quinto do rendimento disponÃvel do agregado familiar”, disse a instituição.
Assim, recordou que Portugal e Espanha registaram grandes quedas nesta referência no primeiro semestre de 2020 e recuperaram lentamente a partir daÃ, enquanto em contraste, a maioria dos paÃses da OCDE registou um crescimento sólido após a recessão inicial relacionada com a pandemia.
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