
Lisboa, 07 fev 2023 (Lusa) – O presidente do Chega, André Ventura, desafiou hoje o PSD para “construir uma alternativa” de governo à direita, defendendo a necessidade de um entendimento até à s eleições europeias do próximo ano.
No final de uma audiência de cerca de uma hora com o Presidente da República no Palácio de Belém, em Lisboa, pedida na sequência da sua reeleição como presidente do Chega na convenção do final de janeiro, André Ventura disse ter manifestado a Marcelo Rebelo de Sousa o compromisso de “começar a construir uma alternativa para estar pronta até à s eleições europeias e num quadro temporal de médio prazo”.
Falando aos jornalistas ladeado por Marta Trindade, vice-presidente do partido, o lÃder do Chega disse que a construção dessa alternativa “depende também do PSD”, pelo que “tem de ser um trabalho feito a dois”.
André Ventura indicou não estar a falar “nem de coligações, nem de acordos”.
“Quando digo uma alternativa, ninguém vai assinar acordo nenhum. Nós temos que dar a sensação ao paÃs, ao Presidente, aos portugueses, de que há uma alternativa se formos chamados a essa escolha”, salientou.
Ventura indicou que ainda não falou com o lÃder do PSD, LuÃs Montenegro, mas defendeu que “mais do que diálogo, do que telefonemas e encontros, é preciso que comece a haver uma convergência na crÃtica e na solução”.
“O que é importante não é o número de vezes que eu falo ao telefone com LuÃs Montenegro ou que LuÃs Montenegro fala ao telefone comigo, é se no parlamento, que é a casa da democracia, na ação de crÃtica há pontos comuns – e tem havido até muitas vezes, com estilos diferentes, como aconteceu agora no Banif, na crÃtica dos ministros, na comissão de inquérito – e também há algumas soluções alternativas comuns”, defendeu.
Apesar de ainda não ter convidado o lÃder social-democrata para uma reunião para abordar esta questão, o presidente do Chega está convicto de que vai acontecer: “Mal seria se o lÃder do PSD recusasse reunir com o lÃder do terceiro maior partido português sem qualquer razão aparente, como reuniria com outro lÃder qualquer”.
“Penso que é a melhor altura para isso. Se LuÃs Montenegro não quiser agora, se preferir mais perto do verão… Penso que o importante é a partir de agora termos um contacto polÃtico”, apontou.
O presidente do Chega antecipou que as eleições regionais na Madeira, ainda este ano, podem constituir um “primeiro teste” ao “cenário de uma eventual governação”.
André Ventura insistiu que “entre Chega e PSD tem de se começar a criar uma alternativa”: “Nós não podemos chegar à s eleições europeias sem nenhuma alternativa. Nós não podemos chegar, arrisco-me a dizer, a este verão, a este outono, sem uma alternativa, e cabe-nos dizer isso aos portugueses”, salientou.
O presidente do Chega considerou também que “o Presidente da República está perfeitamente consciente desse cenário”.
“O Presidente reconhece, como nós também reconhecemos, a necessidade de alternativa. E ele já disse que não pode, em caso algum, tomar qualquer iniciativa que pusesse fim a esta maioria se não houver uma alternativa”, indicou.
“Se não o fizermos, não podemos queixar-nos nem andar a pedir ao Presidente da República que dissolva o parlamento”, apontou.
Questionado sobre a demissão da presidente da Agência Nacional de Inovação, Joana Mendonça, alegando falta de condições para continuar no cargo, Ventura defendeu “mostra como este clima de desagregação está em curso nos órgãos mais elevados do aparelho de Estado e como é tão importante a tal alternativa”.
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