
BrasÃlia, 06 fev 2023 (Lusa) — O Governo brasileiro espera que 80% dos cerca de 15 mil garimpeiros ilegais acusados ??de causar uma grave crise humanitária na terra indÃgena Yanomami deixem a área esta semana, anunciou hoje o ministro da Justiça, Flávio Dino.
O Presidente do Brasil, Luiz Inácio Lula da Silva ordenou a retirada dos garimpeiros ilegais da região, após declarar o estado de emergência sanitária, devido ao grave estado de desnutrição e doenças sofridas pelos indÃgenas, relacionadas com os materiais tóxicos utilizados na extração de ouro.
A retirada dos garimpeiros está a ser acompanhada pela PolÃcia Federal e PolÃcia Rodoviária, Força Nacional e conta com o apoio logÃstico das Forças Armadas.
O ministro negou que o Governo vá apoiar os garimpeiros que pediram ajuda, oferecendo-lhes transporte, por se tratar de uma “atividade criminosa”.
“Vamos permitir que essas pessoas saiam pelos seus próprios meios, mas não haverá apoio para essa retirada”, disse o ministro numa conferência de imprensa.
Flávio Dino sublinhou que a saÃda dos garimpeiros “não é um caminho para a impunidade”, porque as investigações “continuarão” para os levar à justiça, alguns até pelo crime de “genocÃdio”, embora reconheça que é uma “situação polÃtica e social de alta complexidade” que requer “planeamento”.
Outro dos objetivos da operação, acrescentou o ministro, é “identificar” as pessoas que “financiam” o garimpo ilegal naquela região do paÃs.
A declaração do ministro ocorre no momento em que lideranças do povo Yanomami denunciaram à s autoridades o assassÃnio, no fim de semana, de três membros da comunidade durante a saÃda de garimpeiros ilegais das regiões de Haxi e Waphuta.
Entre 27.000 e 30.000 Yanomami vivem na vasta reserva, que ocupa cerca de 10 milhões de hectares e tem um perÃmetro de quase 3.400 quilómetros, e estima-se que pelo menos 15.000 garimpeiros ilegais se tenham instalado nessa região nos últimos anos.
Esse grupo de garimpeiros ilegais aumentou, incentivado por polÃticas promovidas pelo ex-presidente Jair Bolsonaro, apoiado pela extrema-direita, que promoveu atividades económicas na selva amazónica, apesar de serem proibidas em terras indÃgenas.
Lula da Silva, que assumiu o poder em 01 de janeiro, visitou a região e declarou a emergência sanitária ao encontrar milhares de indÃgenas com desnutrição grave, malária e outras doenças.
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