
MogadÃscio, 01 fev 2023 (Lusa) — Vários morteiros atingiram hoje a área exterior em redor do palácio presidencial em MogadÃscio, capital da Somália, horas antes do inÃcio de uma cimeira de lÃderes regionais para discutir a ofensiva militar contra o grupo terrorista Al Shabaab.
O rebentamento de cinco morteiros, ouvido “amplamente” na capital somali, de acordo com o portal local de notÃcias Jowhar, coincidiu com o encerramento esta manhã das principais vias da cidade – algumas zonas estão mesmo encerradas a peões — que acolhe hoje os chefes de Estado do Quénia e Djibuti, e o primeiro-ministro etÃope, Abiy Ahmed, que irão participar numa cimeira para desenhar uma estratégia conjunta de combate ao grupo radical islâmico Al Shabaab.
O Jowhar não dispõe de dados relativos a eventuais vÃtimas ou danos materiais e acrescenta que as forças de segurança somali lançaram “operações pesadas” nos bairros de MogadÃscio para capturar os autores do ataque de artilharia, lançado de dentro da cidade.
O Presidente somali, Hassan Sheikh Mohamoud, e os seus homólogos do Djibuti e do Quénia, Ismail Omar Guelleh e William Ruto, respetivamente, e o chefe do governo etÃope reúnem-se para “discutir formas de trabalhar em conjunto” para enfrentar a insurreição armada do Al Shabaab, que dura há 15 anos, anunciou o Governo somali numa declaração divulgada esta terça-feira.
“Esperamos que esta colaboração nos permita libertar rapidamente o paÃs dos renegados (Al Shabaab), que sofreram pesadas perdas no terreno nas últimas semanas”, acrescentou a declaração.
O Presidente somali assumiu o poder no inÃcio de junho do ano passado com a promessa de travar uma “guerra total” contra o Al Shabaab, filiado na Al-Qaeda, cujo começo da rebelião contra o governo federal somali remonta a 2007.
Expulsos das principais cidades do paÃs em 2011-2012, os insurgentes da Al Shabaab continuam entrincheirados nas vastas zonas rurais do paÃs e realizam com frequência ataques mortÃferos na Somália, incluindo em MogadÃscio, assim como em paÃses vizinhos.
Em setembro último, o exército somali, com o apoio de milÃcias locais, conhecidas como o “macawisley”, e da força da União Africana na Somália (Atmis), assim como pela força aérea norte-americana, lançou uma grande ofensiva militar, que permitiu a recaptura de vastos territórios no centro do paÃs.
O exército somali anunciou em 17 de janeiro último que recapturou, sem combater, o porto de Harardhere, controlado desde 2010 pelo Al Shabaab, numa vitória descrita como “histórica”.
O grupo armado radical islâmico continua, no entanto, a realizar ataques sangrentos, sublinhando a sua capacidade de atacar o coração das maiores cidades e instalações militares somalis.
No passado dia 29 de outubro, dois veÃculos armadilhados explodiram em MogadÃscio, matando 121 pessoas e ferindo outras 333, no ataque mais mortÃfero do paÃs em cinco anos.
Hassan Sheikh Mohamoud anunciou entretanto que novos contingentes de soldados somalis, treinados na Eritreia, estarão em breve disponÃveis para participar em operações contra o Al Shabaab.
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