
Macau, China, 25 jan 2023 (Lusa) – Comerciantes da baixa de Macau estão otimistas com volume de turistas durante ano novo lunar no território que, apesar de “novo recorde”, recebeu na terça-feira quase menos 50% do que no perÃodo equivalente antes da pandemia.
Do balcão da Ourivesaria e Joalharia Cherry Limitada, no centro de Macau, vê-se um mar de gente a caminhar a passo lento no sentido das RuÃnas de São Paulo, ponto turÃstico da cidade.
Jessica Lei Nga Si, que gere o negócio de famÃlia, fundado pelo pai há mais de duas décadas, explica que por estes dias a procura do ouro no território dispara: “Trata-se de um sÃmbolo de sorte”, disse à Lusa, e esclareceu que a cor amarela é um sinal auspicioso na cultura chinesa – durante séculos era a cor reservada ao imperador.
“As pessoas esperam comprar ouro no primeiro dia do ano para terem sorte no resto do ano”, acrescentou Lei Nga Si, que só esta manhã, até à hora de almoço, contou cerca de 50 mil patacas (5.691 euros) em negócio.
“Apesar de não ser tão bom como em 2019 [pré-pandemia], está bem melhor do que nos últimos três anos”, considerou a responsável, realçando que muitos clientes, “por falta de confiança no ouro do interior da China”, optam por cruzar a fronteira até Macau “que tem vindo a criar uma imagem de marca” no que diz respeito a este metal precioso.
Lei Nga Si apontou lá para fora. “As pessoas estão a chegar para estimular a economia”, explicou, referindo-se ao sem-fim de turistas a atravessar a rua de São Paulo, apenas uma das muitas zonas comerciais do território afetadas pelas restrições anti-pandémicas dos últimos anos.
Com o fim da polÃtica de “covid zero”, o volume de visitantes na cidade durante as celebrações do ano novo lunar, que teve inÃcio no domingo, não voltou aos nÃveis pré-pandemia – 170 mil por dia em 2019 – mas já alcançou um “novo recorde” desde que a covid-19 se alastrou pelo mundo, de acordo com um comunicado divulgado hoje pela Direção dos Serviços de Turismo, que aponta para a entrada de 90.391 visitantes na terça-feira.
No entanto, números oficiais, que fixam em 5,7 milhões o número de entradas em 2022, continuam longe de alcançar os valores de 2019: perto de 40 milhões, quase 60 vezes a população da cidade.
Também no centro de Macau, a Travessa da Sé, com uma fileira de restaurantes de comida chinesa, sinaliza mudança, apesar de alguns dos negócios terem ainda as portas de aço puxadas para baixo. Cerca de cinco dezenas de pessoas fazem fila à porta do Kam Wa, um negócio de ‘take-away’ de tripas de vaca.
“Há anos que não via nada assim, nem em perÃodo de férias”, notou, do outro lado da rua, Goto Reiko, proprietária da geladaria japonesa Kika, que vende sabores como ‘matcha’, ‘durian’ e melão de Hokkaido.
“O negócio está muito bom, muito movimentado”, disse.
Enquanto a região chinesa manteve as rigorosas restrições anti-covid, esta empresária nipónica, de Shizuoca, no Monte Fuji, chegou a trabalhar sozinha e a atender um máximo de 20 clientes por dia. Esta semana, Goto e os quatro funcionários têm servido “entre 400 a 500” pessoas diariamente.
Mas, “foi muito difÃcil” encontrar mão-de-obra durante este perÃodo de festas, assumiu a empresária. “Estamos a falar do ano novo lunar e os trabalhadores [migrantes] querem voltar a casa celebrar a época com a famÃlia”, referiu.
Por esta mesma razão, Eric Chan, proprietário de dois restaurantes no pátio do Cotovelo, perto da principal artéria da cidade, a avenida Almeida Ribeiro, manteve os negócios encerrados durante os primeiros dias do novo ano – de domingo até hoje.
À semelhança de muito do comércio no território, a crise também bateu nos últimos anos à porta dos restaurantes Tio Bo e Deus do Dinheiro, com Chan a reduzir “o horário de trabalho dos funcionários para metade”.
“Muitos acabaram por regressar ao interior da China por não ganharem dinheiro suficiente”, notou.
Macau perdeu cerca de 40 mil trabalhadores estrangeiros sem estatuto de residente entre o quarto trimestre de 2019 (196.538) e o terceiro trimestre de 2022 (153.841), apontam dados da Direção dos Serviços de EstatÃstica e Censos.
Mas Chan salientou que para esta nova fase já contratou “entre cinco a dez trabalhadores”. “Eu acredito que amanhã vêm muitas pessoas, aliás, estes últimos dias têm sido mais movimentados do que em 2019”, defendeu.
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