
Lisboa, 21 jan 2023 (Lusa) – O secretário-geral do PCP criticou hoje a “polÃtica de direita” que insiste no “barulho e berraria” enquanto “desinveste nas funções sociais do Estado”, e lamentou o desaproveitamento de milhares de trabalhadores qualificados que têm de emigrar.
No discurso de encerramento da IX Assembleia do Setor Intelectual da Organização Regional de Lisboa do PCP, que decorreu hoje na Faculdade de Ciências Sociais e Humanas, Paulo Raimundo lamentou as condições precárias em que os intelectuais “cada vez mais produzem o seu trabalho”.
Para o secretário-geral do PCP, existe em Portugal um desaproveitamento de um “imenso património de saber e de conhecimento, com milhares de trabalhadores com qualificações superiores a fazerem tudo menos aquilo para que se especializaram”.
São “conhecimentos e capacidades que podiam e deviam estar a ser aproveitados pelo nosso paÃs para responder aos desafios estruturais com que estamos confrontados, mas que são desvalorizados cá e jogados nas mãos de outros, (…) empurrados para a emigração”, lamentou.
Perante um auditório cheio, Paulo Raimundo questionou se “é do interesse dos intelectuais a polÃtica de direita, essa polÃtica da alternância dos governos que a vão executando” e cujos resultados considerou estarem à vista: “empobrecimento, austeridade e injustiça”.
“Essa alternância que se concentra todos os dias na polÃtica dos casos, que aposta no lamaçal polÃtico, essa alternância de barulho e berraria para garantir que tudo fica na mesma, essa alternância que mais conversa, menos conversa, desinveste nas funções sociais do Estado, empurrando a maioria da população para o empobrecimento ao mesmo tempo que alimenta este escândalo de acumular dos lucros”, criticou.
O lÃder comunista defendeu que os autores deste tipo de polÃtica dão “muito pouco do Orçamento do Estado à Cultura, à Ciência e ao Ensino Superior” e condenam de “forma crescente os intelectuais – arquitetos, psicólogos, passando por juristas – à precariedade e aos baixos salários”.
“É isto que interessa aos intelectuais? É este caminho das pedras que interessa ou o que interessa é a alternativa polÃtica, patriótica e de esquerda que propomos construir?”, salientou.
Sem nunca responder diretamente à sua pergunta, o secretário-geral do PCP sublinhou que essa polÃtica patriótica e de esquerda promoveria “um por cento do Orçamento do Estado para a cultura” e seria de “efetiva liberdade de criação intelectual, cientÃfica e artÃstica”.
“A alternativa que estamos a construir todos os dias é do interesse dos intelectuais, de todos os trabalhadores, do povo e do paÃs. A alternativa patriótica e de esquerda que, a cada dia que passa, é mais urgente e necessária, e que é possÃvel construir”, defendeu.
Paulo Raimundo descartou os argumentos segundo os quais “não é possÃvel aumentar salários e pensões”, contrapondo que estão a ser dadas “autênticas borlas fiscais aos grandes grupos económicos” e “mais de mil milhões de lucros à s grandes distribuidoras”.
O secretário-geral do PCP não atribuiu as culpas desta polÃtica de direita “só à maioria do PS” que, apesar de ter “muita culpa” neste processo, também conta com as “mãos sujas, e muito sujas” do PSD, CDS, Chega e Iniciativa Liberal.
“Quando foi e é preciso, juntos ou à vez, PS, PSD, Chega e IL contribuem para o chumbo sistemático das nossas propostas, ora votando contra, ora abstendo-se, mas sempre empenhados no atual rumo e no aprofundamento, desta ou daquela forma, da polÃtica de direita”, salientou.
Dirigindo-se aos militantes do PCP que o ouviam, Paulo Raimundo considerou que a época atual é de “perigos e potencialidade, mas não aponta para a aceitação do sistema de exploração”, desafia antes “a trilhar o caminho do ideal e do projeto comunista”.
O secretário-geral do PCP considerou que esse caminho “exige o reforço do partido em todas as frentes”, deixando um apelo aos militantes: “Há espaço para continuar a alargar o partido, para chegar mais longe, para continuar a recrutar mais, para ir à conversa”.
“Todos aqueles que nos batem à porta são bem-vindos, mas nós não podemos ficar à espera que nos batam à porta, é preciso tomar essa iniciativa para irmos nós bater-lhes à porta”, pediu.
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