
BrasÃlia, 12 jan 2023 (Lusa) – O Presidente do Brasil, Lula da Silva disse hoje acreditar que apoiantes de Jair Bolsonaro que vandalizaram prédios públicos em BrasÃlia no domingo foram ajudados por agentes de segurança e elementos das Forças Armadas.
“Estou convencido de que a porta do Palácio do Planalto foi aberta para que gente entrasse porque não tem porta quebrada. Significa que alguém facilitou a entrada deles aqui. Nós vamos com muita calma investigar e ver o que aconteceu de verdade”, afirmou Lula da Silva.
O chefe de Estado, que falava num pequeno-almoço com jornalistas no Palácio do Planalto, referia-se à invasão e vandalização do palácio da Presidência, do Congresso e do Supremo Tribunal Federal (STF) realizada por apoiantes do ex-presidente Jair Bolsonaro.
“As Forças Armadas não são o poder moderador como pensam que são. As Forças Armadas têm um papel na Constituição, que é a defesa do povo brasileiro e da nossa soberania contra possÃveis inimigos externos. É isso o papel das Forças Armadas e está definido na nossa Constituição. É isso que quero que seja bem feito”, disse Lula da Silva.
O chefe de Estado brasileiro também fez um apoio público ao ministro da Defesa, José Múcio, após crÃticas recebidas por amplos setores do Partido dos Trabalhadores (PT) e simpatizantes do Governo por supostamente subestimar os protestos e o acampamento na frente do quartel-general do Exército em BrasÃlia mantido por ‘bolsonaristas’ que não aceitavam o resultado das eleições.
“Ele [Múcio Monteiro] vai continuar sendo meu ministro porque eu confio nele (…) Tenho o maior respeito por ele e ele vai continuar. Se eu tivesse que trocar de ministro toda vez que eles erram, seria a maior rotatividade de mão-de-obra da história do Brasil”, ironizou.
“Todos nós erramos. José Múcio vai continuar”, concluiu Lula da Silva, que, segundo os ‘media’ locais, já havia informado o ministro da Defesa sobre seu desconforto com a suposta indiferença que teria mostrado com os protestos que acabaram levando as invasões à s sedes dos três poderes no domingo.
As dúvidas sobre Múcio, cujo papel conciliador no tratamento com as Forças Armadas foi destacado, datam das semanas anteriores à posse de Luiz Inácio Lula da Silva, quando alguns integrantes do Governo eram favoráveis ??à expulsão dos que estavam acampados à porta do quartel-general do Exército.
Múcio insistia em que eram manifestações democráticas pois tinha amigos e familiares nesses acampamentos.
Apoiantes do ex-presidente brasileiro Jair Bolsonaro invadiram e vandalizaram no domingo as sedes do STF, do Congresso e do Palácio do Planalto, em BrasÃlia, obrigando à intervenção policial para repor a ordem e suscitando a condenação da comunidade internacional.
A PolÃcia Militar conseguiu recuperar o controlo das sedes dos três poderes, numa operação de que resultaram cerca de 1.500 detidos.
A PolÃcia Federal brasileira informou que cerca de 600 pessoas presas acusadas de participarem nos atos, na maioria idosos com mais de 65 anos, mulheres que têm filhos pequenos e pessoas com comorbilidades graves, foram libertadas para responder em liberdade.
A invasão começou depois de militantes da extrema-direita brasileira que apoiam o anterior presidente, derrotado por Luiz Inácio Lula da Silva nas eleições de outubro passado, terem convocado um protesto para a Esplanada dos Ministérios, na capital brasileira.
Entretanto, o juiz do Supremo Tribunal Federal Alexandre de Moraes afastou o governador do Distrito Federal, Ibaneis Rocha, por 90 dias, considerando que tanto o governador como o ex-secretário de Segurança e antigo ministro da Justiça de Bolsonaro Anderson Torres terão atuado com negligência e omissão.
Torres é alvo de um pedido de prisão que ainda não foi cumprido por se encontrar em viagem aos Estados Unidos da América.
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