
Cidade do México, 10 jan 2023 (Lusa) — O Presidente do México, Andrés Manuel López Obrador, desafiou o homólogo norte-americano, Joe Biden, a “acabar com o abandono” da América Latina e das CaraÃbas e melhorar a qualidade de vida na região.
“Este é o momento de decidirmos acabar com esse abandono, esse desdém e esse esquecimento da América Latina e das CaraÃbas”, disse López Obrador, numa reunião realizada na Cidade do México, na segunda-feira, com o Presidente dos Estados Unidos.
Biden “tem na mão a chave” para o desenvolvimento da região, apontou López Obrador.
Na resposta, Joe Biden referiu que Washington gasta anualmente milhares de milhões de dólares em ajuda externa em todo o mundo. “Infelizmente, a nossa responsabilidade não termina no hemisfério ocidental”, sublinhou.
O encontro bilateral serviu para preparar uma cimeira marcada para hoje, entre Biden, López Obrador e o primeiro-ministro do Canadá, Justin Trudeau, na qual os três lÃderes vão abordar fluxos de migração, comércio e mudanças climáticas.
Os EUA e o México chegaram a um acordo sobre uma mudança na polÃtica migratória, anunciada por Joe Biden na semana passada.
De acordo com o plano, os EUA vão enviar, de volta para o México, por mês, 30 mil migrantes ilegais oriundos de Cuba, Nicarágua, Haiti e Venezuela.
Por outro lado, 30 mil pessoas dessas quatro nações que tiverem patrocinadores, verificações de antecedentes criminais e um voo para os EUA vão poder trabalhar legalmente no paÃs por dois anos.
Na segunda-feira, antes do inÃcio do encontro, López Obrador disse que ia considerar aceitar mais imigrantes do que o anunciado anteriormente.
“Não queremos antecipar as coisas, mas isso faz parte do que vamos falar na cimeira”, disse López Obrador. “Apoiamos este tipo de medidas, para dar opções, alternativas à s pessoas”, disse, acrescentando que “os números podem ser aumentados”.
O número de migrantes, que cruzam a fronteira entre os EUA e o México, aumentou durante os primeiros dois anos de mandato de Biden.
Mais de 2,38 milhões de pessoas a atravessaram a fronteira de forma ilegal até 30 de setembro, sendo esta a primeira vez que o número ultrapassou dois milhões.
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