Sobe para 12 o número de manifestantes mortos em confrontos com a polícia no sul do Peru

Lima, 10 jan 2023 (Lusa) — O número de mortos nos confrontos entre manifestantes e forças de segurança na cidade de Juliana, no sul do Peru, subiu para 12, divulgou esta segunda-feira a Provedoria do Povo.

No mais recente balanço de segunda-feira dos protestos que pedem a saída da Presidente Dina Boluarte do poder, a Provedoria do Povo daquela região revelou que 12 pessoas morreram “devido a confrontos com as forças de segurança”.

Entre os mortos em Juliaca está pelo menos um menor de 17 anos e a maioria são jovens, entre os 19 e 35 anos, embora uma das vítimas tivesse cerca de 50 anos, segundo as autoridades médicas da região.

O número de mortos desde 11 de dezembro aumentou para 41 pessoas em todo o país, naquele que é o sexto dia de protestos após a trégua de Natal, noticiou a agência Efe.

Os confrontos mortais no sul do Peru levaram à interrupção repentina da reunião do acordo nacional presidida esta segunda-feira pela Presidente peruana, Dina Boluarte, grupo que reúne representantes de todos os poderes, governadores regionais e diversos setores políticos, noticiou a Efe.

O secretário técnico do acordo nacional, Max Hernández, confirmou à imprensa a suspensão da reunião, depois do governador regional de Puno, Richard Hancco, ter informado no encontro sobre a morte de 12 pessoas como resultado dos confrontos nas proximidades do aeroporto da cidade de Juliaca, a mais populosa dessa região fronteiriça com a Bolívia.

O acordo nacional é um fórum de políticas públicas que reúne representantes dos três poderes do Estado, de outros setores estatais e de organizações empresariais e cívicas.

Um bebé de 35 semanas morreu também na região de Puno porque a ambulância em que foi transferido para um hospital ficou parada num dos bloqueios de manifestantes, divulgou, em comunicado, esta segunda-feira a Direção Regional da Saúde.

A criança tinha sido atendida no domingo e encaminhada para outro hospital devido a uma insuficiente respiratória e sepsia, mas a trasferência “não aconteceu porque houve dificuldades para a passagem da ambulância em Molino, distrito de Juli, província de Chucuito”, em Puno, acrescentou o comunicado.

No anterior ponto de situação, a Provedoria do Povo tinha instado as forças de segurança a “fazerem um uso legal, necessário e proporcional da força” e instou o Ministério Público a realizar “uma investigação célere para esclarecimento dos factos”.

O Peru atravessa uma crise política e social devido às manifestações que abalam o país desde a destituição do ex-Presidente Pedro Castillo, em 07 de dezembro, que quis dissolver o parlamento para convocar uma assembleia constituinte, criar um governo de emergência e governar por decreto, o que foi interpretado como uma tentativa de golpe de Estado.

Após a detenção de Castillo, que ficará em prisão preventiva de 18 meses decretada por um tribunal, o poder passou para a vice-presidente, Dina Boluarte, mas os protestos e manifestações continuaram.

Entre outras reivindicações, os manifestantes exigem a antecipação das eleições, marcadas pelo novo Governo para a primavera de 2024, a dissolução do Congresso, a convocação de uma Assembleia constituinte, a demissão de Boluarte do cargo de vice-presidente e a libertação do ex-presidente Pedro Castillo, no poder entre 2021 e 2022 e condenado a 18 meses de prisão preventiva sob a acusação de promover um “golpe de Estado”.

A Comissão Interamericana de Direitos Humanos (CIDH) vai realizar a sua visita de observação ao Peru entre 11 e 13 de janeiro, para observar a situação dos direitos humanos” no país.

A CIDH detalhou esta segunda-feira em comunicado que a missão viajará a Lima e outras cidades para “reunir, discutir e receber informações de diversos setores”.

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