
Lisboa, 04 jan 2023 (Lusa) — Os ministros dos Negócios Estrangeiros de Portugal e da Alemanha defenderam hoje que as sanções ocidentais à Rússia são eficazes e que isso é cada vez mais visÃvel, devendo ser mantidas, a par do reforço do apoio à Ucrânia.
“A capacidade da Rússia de fazer a guerra é hoje muito menor” do que no inicio da ofensiva contra a Ucrânia, que começou a 24 de fevereiro de 2022, assegurou João Gomes Cravinho, numa conferência de imprensa conjunta com a homóloga alemã, depois de ambos intervirem no Semanário Diplomático 2023, a decorrer hoje e quinta-feira em Lisboa.
A União Europeia, adiantou, “está a trabalhar em mais um pacote, o 10.º, de sanções à Rússia” e manterá enquanto for preciso as ajudas à Ucrânia, referindo especificamente o apoio decidido para ajudar a recuperar as infraestruturas energéticas, muito danificadas nos ataques russos dos últimos meses, e o envio de material bélico.
O abastecimento de energia, ainda mais premente devido à s temperaturas negativas de inverno, “foi um dos principais enfoques da conferência que teve lugar em Paris, em dezembro, que estabeleceu que haverá um mecanismo especÃfico de apoio à Ucrânia”, começando por ver quais as necessidades de recuperação de infraestruturas.
“Mas também com o fornecimento de material, como por exemplo, “baterias, geradores e lâmpadas ‘led’ — mais de 50 milhões destas lâmpadas” — com o objetivo de reduzir as necessidades energéticas, referiu o ministro português.
“Por mais crimes de guerra que haja, e os ataques a civis são crimes de guerra (…), haverá sempre mais apoio à Ucrânia, sublinhou Gomes Cravinho.
Annalena Baerbock respondeu à questão sobre a eficácia das sanções reiterando que será feito o que for preciso para a Ucrânia defender a sua integridade territorial, e repetindo a mensagem já deixada na intervenção perante os diplomatas portugueses reunidos em Lisboa, de que Moscovo quer destruir a Ucrânia e tornar a vida ali impossÃvel.
“Se não tivesse havido reação, seria o fim da carta das Nações Unidas”, afirmou a ministra alemã, que pediu “empenho diplomático”, além de ajuda económica, humanitária e militar.
“O fornecimento de armas tem a ver com a proteção das pessoas e a proteção da carta das Nações Unidas”, insistiu.
É fundamental continuar com o apoio militar também para permitir intervenções na recuperação das infraestruturas e tentar evitar novos ataques, defenderam os chefes de diplomacia de Portugal e Alemanha.
Esse apoio, adiantaram, está a ser constantemente revisto, de acordo com as necessidades e capacidades dos Estados-membros e dos seus parceiros, que avaliam em conjunto como podem ajudar de forma mais eficaz.
O Seminário Diplomático é uma reunião anual de embaixadores de Portugal para debater prioridades da polÃtica externa com membros do Governo, empresários e académicos, e teve este ano como oradora convidada a ministra dos Negócios Estrangeiros da Alemanha.
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