
Atenas, 12 dez 2022 (Lusa) – O ministro dos Negócios Estrangeiros grego condenou hoje a ameaça do Presidente turco, Recep Tayyip Erdogan, de atacar com mÃsseis balÃsticos a capital da Grécia, Atenas.
“São inaceitáveis e universalmente condenáveis ameaças de ataques de mÃsseis contra a Grécia por parte de um paÃs aliado, um membro da NATO”, afirmou Nikos Dendias, à chegada da reunião dos chefes da diplomacia da União Europeia (UE), a decorrer em Bruxelas.
O ministro grego afirmou que “atitudes de Coreia do Norte não podem e não devem entrar na Aliança Atlântica”.
Num encontro com jovens na cidade turca de Samsun, no sábado passado, Recep Tayyip Erdogan afirmou que a Turquia começou a fabricar os seus próprios mÃsseis balÃsticos de curto alcance chamados Tayfun, referindo que essas armas estão “a assustar os gregos”.
“Os gregos dizem que os mÃsseis conseguem atingir Atenas. Claro que conseguem. Se não se acalmarem, se tentarem comprar aos Estados Unidos e a outros lugares para armarem as ilhas (…) um paÃs como a Turquia terá que fazer alguma coisa”, declarou o Presidente turco.
As relações entre Turquia e Grécia, aliados na NATO e paÃses vizinhos, são tensas há bastante tempo, com ambos os lados divididos numa série de assuntos, incluindo disputas sobre territórios no mar Egeu e direitos de exploração energética no Mediterrâneo oriental.
Ambos os paÃses já estiveram à beira da guerra três vezes nos últimos 50 anos.
A Turquia tem elevado o clima de tensão nos últimos meses, ao questionar abertamente a soberania de ilhas gregas habitadas.
Erdogan ameaçou mesmo que tropas turcas poderiam desembarcar na Grécia “de repente”, mas a sugestão de um ataque com mÃsseis é nova.
Na semana passada, a Turquia acusou a Grécia de violar acordos internacionais ao realizar um exercÃcio militar no mar Egeu, frisando que o destacamento de meios militares nas ilhas orientais, perto da costa turca, viola o estatuto não militarizado daqueles territórios ditado pela lei internacional.
Atenas contrapôs e afirmou que precisa de defender as ilhas de um potencial ataque turco, apontando que Ancara tem uma força militar considerável na sua costa ocidental, a pouca distância das ilhas.
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