
Nova Iorque, 06 dez 2022 (Lusa) — O secretário-geral das Nações Unidas, António Guterres, defendeu esta segunda-feira que os governos, empresas e redes sociais têm a responsabilidade de prevenir discursos de ódio, ‘bullying’ e desinformação que “prejudicam os direitos humanos, a democracia e a ciência”.
“Um espaço digital seguro começa com a proteção da liberdade de expressão. Mas não termina aÃ. Governos, empresas e plataformas de redes social têm a responsabilidade de prevenir discursos de ódio, bullying e desinformação, que prejudicam os direitos humanos, a democracia e a ciência”, destacou Guterres numa publicação na rede social Twitter.
Elon Musk, que além da Tesla é também dono do SpaceX [viagens espaciais], comprou o Twitter, em outubro, por 44 mil milhões de dólares (41,7 mil milhões de euros).
Mas a visão de Musk, que defendeu uma liberdade de expressão absoluta na rede social, está a causar preocupação entre muitos utilizadores, autoridades e anunciantes, por temerem um aumento de mensagens de de ódio e desinformação.
No inÃcio, o empresário prometeu um conselho de moderação de conteúdos responsável por todas as grandes decisões, mas posteriormente decidiu restabelecer várias contas, a começar pela do ex-Presidente dos Estados Unidos Donald Trump, banido da rede social depois do assalto ao Capitólio, em janeiro de 2021.
Musk pôs também fim à luta contra a falsa informação ligada à covid-19 e recentemente esclareceu os seus limites pessoais sobre a liberdade de expressão numa série de ‘tweets’.
Na sexta-feira, a conta do ‘rapper’ norte-americano Kanye West no Twitter foi suspensa por “incitar à violência”, depois de ter afirmado que admirava Hitler.
Elon Musk também disse que não ia permitir o regresso à rede social do teórico da conspiração da extrema-direita norte-americana Alex Jones, que foi condenado por afirmar que um massacre escolar foi encenado por elementos do movimento de oposição às armas de fogo.
Em reação à s declarações de Kanye West, o Presidente dos Estados Unidos, Joe Biden, instou na sexta-feira a classe polÃtica norte-americana a “denunciar e rejeitar o antissemitismo.
“Só quero deixar algumas coisas claras: o Holocausto aconteceu. Hitler era uma figura demonÃaca. E, em vez de lhe dar uma plataforma, os nossos lÃderes polÃticos devem denunciar e rejeitar o antissemitismo onde quer que ele se esconda”, destacou o chefe de Estado norte-americano, através da rede social Twitter.
Biden realçou ainda que “o silêncio é cumplicidade”, noticiou a agência Europa Press.
Também na sexta-feira, o Presidente francês, Emmanuel Macron, que visitou os Estados Unidos, revelou ter mantido “uma conversa clara e sincera” com o novo proprietário do Twitter, para insistir que a rede social deve melhorar a transparência e “reforçar a moderação de conteúdos”.
Numa série de mensagens escritas no Twitter, Emmanuel Macron disse também ter discutido, em Nova Orleães, na sexta-feira, com o fundador da empresa Tesla “futuros projetos industriais verdes, tais como a produção de veÃculos elétricos e baterias”, sem avançar pormenores.
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