
Kiev, 29 nov 2022 (Lusa) — O Presidente da Ucrânia voltou hoje a acusar a Rússia de promover uma “vingança” contra o paÃs devido à s derrotas militares impostas por Kiev, assegurando que, numa semana, Moscovo disparou centenas de vezes contra localidades da zona de Kherson.
“Apenas numa semana o inimigo bombardeou 258 vezes 30 localidades na nossa região de Kherson”, no sul do paÃs, disse Volodymyr Zelensky na sua habitual mensagem noturna transmitida pela televisão.
“Não são capazes de fazer nada, apenas destruições. É o que deixam no seu caminho. O que agora fazem contra a Ucrânia é uma tentativa de vingança. De vingança porque os ucranianos defenderam-se deles por várias vezes”, afirmou.
Segundo a agência noticiosa oficial Ukrinform, a Rússia atacou Kherson 21 vezes nas últimas 24 horas, atingindo com os seus mÃsseis edifÃcios residenciais e infraestruturas civis.
À semelhança de dias anteriores, as sirenes de alarme aéreo voltaram a ecoar por toda a Ucrânia, mas sem que fosse registado um ataque massivo.
O porta-voz da Força Aérea ucraniana, Yuryi Ignat, referiu terem sido detetados voos de bombardeiros estratégicos russos, mas que também foram registadas “ameaças de ataque com mÃsseis instalados em terra”.
Segundo o norte-americano Instituto de Estudo da Guerra (ISW), as forças russas prepararam-se para atingir a Ucrânia na próxima semana com uma nova vaga de ataques com mÃsseis.
“Mas o mais provável é que estes preparativos apontem para manter o ritmo dos recentes ataques, e não incrementá-los devido à s limitações do arsenal de mÃsseis russo”, assinalou o ISW.
Na segunda-feira, Zelensky tinha advertido sobre um possÃvel novo ataque massivo durante esta semana.
A ofensiva militar lançada a 24 de fevereiro pela Rússia na Ucrânia causou já a fuga de mais de 13 milhões de pessoas — mais de seis milhões de deslocados internos e mais de 7,8 milhões para paÃses europeus -, de acordo com os mais recentes dados da ONU, que classifica esta crise de refugiados como a pior na Europa desde a Segunda Guerra Mundial (1939-1945).
A invasão russa — justificada pelo Presidente russo, Vladimir Putin, com a necessidade de “desnazificar” e desmilitarizar a Ucrânia para segurança da Rússia – foi condenada pela generalidade da comunidade internacional, que tem respondido com envio de armamento para a Ucrânia e imposição à Rússia de sanções polÃticas e económicas.
A ONU apresentou como confirmados desde o inÃcio da guerra 6.655 civis mortos e 10.368 feridos, sublinhando que estes números estão muito aquém dos reais.
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