Lisboa, 25 nov 2022 (Lusa) – O ministro dos Negócios Estrangeiros português considerou hoje “inadmissÃvel” o recurso à “violência para fins polÃticos”, após uma tentativa de golpe de Estado em São Tomé e PrÃncipe, e disse que Portugal “apoia sem hesitação” a ordem constitucional naquele paÃs.
“Estamos preocupados com as notÃcias que nos chegam de São Tomé e PrÃncipe. Portugal apoia sem hesitação a ordem constitucional em São Tomé e PrÃncipe, considerando inadmissÃvel qualquer tentativa de utilização de violência para fins polÃticos”, escreveu o ministro João Gomes Cravinho na rede social Twitter.
O primeiro-ministro de São Tomé e PrÃncipe anunciou hoje, em conferência de imprensa, que o paÃs foi alvo de uma “tentativa de golpe, que começou por volta das 00:40 e que teve o seu desfecho, em termos operacionais, pouco depois das 06:00 [horas locais, mesma hora em Lisboa]”.
O ataque foi conduzido por quatro homens, civis, aparentemente com cúmplices no interior do quartel, que invadiram as instalações com o objetivo de se apoderarem de armas, enquanto mais homens aguardavam, no exterior.
As Forças Armadas, cuja atuação Patrice Trovoada elogiou, defenderam o quartel “com profissionalismo”.
“Houve um ataque, houve a penetração de elementos estranhos, ligados ao ‘grupo Búfalo’, no quartel, houve combate”, disse, referindo depois que os atacantes possuÃam armas de guerra.
Segundo Patrice Trovoada, “tudo indica” que o ataque ocorreu “a mando de algumas personalidades”.
“O Estado Maior informou-me que detiveram algumas pessoas, na base de declarações do primeiro grupo de quatro [atacantes] que foi detido e neutralizado. Alguns nomes mais conhecidos, Arlécio Costa, está detido no quartel e Delfim Neves também está detido no quartel”, avançou o primeiro-ministro.
Em causa estão o ex-presidente da Assembleia Nacional de São Tomé e PrÃncipe Delfim Neves e Arlécio Costa, antigo oficial do ‘batalhão Búfalo’ que foi condenado em 2009 por uma tentativa de golpe de Estado.
“Espero que desta vez a justiça vá até ao fundo, que toda a gente conheça a verdade e que os criminosos sejam trazidos à justiça, que sejam julgados e que a justiça tenha uma mão firme, forte, porque é inadmissÃvel que em democracia as pessoas queiram controlar, usurpar o poder à força”, sublinhou Patrice Trovoada.
“Certos indivÃduos não se conformam com a vontade das urnas e do povo soberano e mancham assim o paÃs, tentando minar todo o esforço que o atual Governo está a tentar fazer para recuperar a nossa economia e tentar trazer o melhor para as nossas populações”, criticou o primeiro-ministro são-tomense, que assumiu funções há duas semanas, após a vitória do seu partido, Ação Democrática Independente, nas legislativas de 25 de setembro.
Também o Presidente da República cabo-verdiano, José Maria Neves, já condenou a “sublevação armada” desta madrugada em São Tomé e PrÃncipe, após falar com o homólogo são-tomense, Carlos Vila Nova, que visita Cabo Verde a partir de domingo.
“Felizmente, a situação já está sob controle das legÃtimas autoridades do paÃs. Condenamos veementemente esta tentativa de rutura constitucional e solidarizamo-nos inteiramente com o Presidente da República, o Governo e o povo de São Tomé e PrÃncipe”, escreveu, na sua conta oficial na rede social Facebook, o chefe de Estado cabo-verdiano.
Para José Maria Neves, esta ação colocaria “em causa o Estado de Direito Democrático”.
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