
Lisboa, 20 nov 2022 (Lusa) – O secretário-geral do PCP defendeu que o Presidente da República tem procurado “cumprir as obrigações constitucionais”, “num estilo próprio, e para os que acham que tem “o Governo nas mãos”, avisa que poderá fazer “dele o que entender”.
Em entrevista à rádio TSF e ao Jornal de NotÃcias, hoje divulgada, o novo secretário-geral do PCP, Paulo Raimundo, afirma que Marcelo Rebelo de Sousa “tem procurado exercer o seu mandato dentro dos objetivos e equilÃbrios que considera serem úteis”, ressalvando as muitas divergências polÃticas e ideológicas que separam os comunistas do chefe de Estado.
“Há quem caracterize [o mandato] como de sucessivos favores ao Governo e até de estar com o Governo nas mãos. Quem tem um Governo nas mãos fará dele o que entender em cada um dos momentos”, alertou.
No entanto, questionado se o PCP tem esse entendimento, Paulo Raimundo respondeu negativamente: “Não, não, há quem caracterize assim”.
“Independentemente das divergências que temos, eu acho que o Presidente da República tem procurado cumprir as obrigações constitucionais que lhe estão consagradas, num estilo muito próprio, que à s vezes até pode criar embaraços”, acrescentou, recusando que tal seja um elogio, mas um facto que “há um funcionamento regular que é obrigatório para as instituições”.
Na mesma entrevista, Paulo Raimundo, que sucedeu a Jerónimo de Sousa como secretário-geral do PCP há uma semana, assegura ainda que o partido não irá “alimentar a polémica” à volta dos sucessivos casos do Governo, que considera criarem “um lamaçal que é um profundo descrédito da vida polÃtica e do regime democrático” que não costuma “dar bons resultados”.
“Também não nos vamos inibir de dizer o que achamos sobre esta matéria, mas vemos com muita preocupação os casos acontecerem, mas também esta descredibilidade total das instituições. Esta ideia de que são todos iguais e andam cá todos para se abotoar é muito perigosa”, afirmou, defendendo que os problemas devem ser “rapidamente investigados, se for caso disso julgados e retiradas as devidas consequências”.
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