
BrasÃlia, 18 nov 2022 (Lusa) — Um grupo de indÃgenas denunciou que o seu lÃder foi ameaçado de morte por um grupo de pescadores na mesma região amazónica onde este ano um jornalista britânico e o seu guia foram mortos.
O ataque, que teve lugar a 09 de novembro mas que apenas hoje foi tornado público, é o último episódio violento no Vale do Javari, uma região no norte do Brasil onde o repórter Dom Phillips e indÃgena Bruno Pereira foram mortos a tiro.
Esta zona, na fronteira com o Peru e a Colômbia, é o lar da maior concentração de povos indÃgenas isolados do mundo, mas nos últimos anos tornou-se um importante centro do crime organizado, onde traficantes de droga, madeireiros e pescadores ilegais operam muitas vezes impunemente.
A associação AKAVAJA, que representa o povo Kamari que vive no Vale do Javari, relatou numa declaração o ataque aos povos indÃgenas que viajavam em barcos com as suas famÃlias para se encontrarem com outros membros da tribo.
Encontraram barcos de pescadores ilegais cheios de peixe e tartarugas, que inicialmente lhes ofereceram algumas das suas capturas numa tentativa de os convencer a não os denunciar às autoridades a caça furtiva.
Quando uma mulher identificada como lÃder do povo Kamari recusou a sua oferta, os pescadores apontaram-lhe as suas armas, disse a declaração.
“Foi devido a este tipo de atitude que Bruno e Dom foram mortos. Serás o próximo”, disse um dos pescadores, de acordo com AKAVAJA.
“Não te vou matar agora porque há aqui muitas crianças”, terão dito.
A associação diz que os pescadores cortam então os fios dos motores de um dos barcos indÃgenas, antes de dispararem. Um dos tiros atingiu um tanque de gasolina.
“Este ataque mostra uma nova escalada de violência, com um risco concreto de novos assassinatos”, advertiu o Observatório dos Direitos Humanos dos Povos IndÃgenas Isolados (OPI), uma organização de defesa indÃgena.
Dom Phillips, de 57 anos, um colaborador regular do jornal britânico The Guardian, esteve no Vale do Javari numa expedição de investigação, em junho, para um livro sobre conservação ambiental. Foi guiado na expedição pelo perito Bruno Pereira, 41 anos.
A polÃcia prendeu nove pessoas suspeitas de estarem envolvidas no duplo homicÃdio.
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