
Frankfurt, Alemanha, 15 nov 2022 (Lusa) – As famÃlias com rendimentos mais baixos serão muito mais duramente atingidas pela inflação e pelas subidas das taxas de juro a partir do final de 2022 e poderão não pagar as suas dÃvidas, adverte o Banco Central Europeu (BCE).
Num artigo do relatório de estabilidade financeira, publicado hoje, os economistas do BCE consideram que as famÃlias com rendimentos mais baixos são tipicamente as mais propensas a entrar em incumprimento.
O vice-presidente do BCE, Luis de Guindos, apresentará na quarta-feira numa conferência de imprensa virtual o relatório, do qual o BCE hoje antecipou algumas informações.
Os paÃses nos quais os bancos teriam empréstimos mais problemáticos devido aos incumprimentos devido à inflação e ao aumento das taxas de juro são Chipre, Grécia, Irlanda, Espanha e Portugal.
Os bancos destes paÃses já tinham uma percentagem mais elevada destes empréstimos antes de os preços subirem tanto e o BCE começar a subir as taxas de juro.
A deterioração da qualidade dos ativos afetará os bancos em paÃses com uma maior proporção de empréstimos a famÃlias com rendimentos mais baixos, que sofrem mais com a inflação e o aumento das taxas de juro e têm menos ativos lÃquidos disponÃveis.
As famÃlias de baixos rendimentos gastam 70% dos seus rendimentos em despesas básicas tais como alimentação, energia ou habitação, em comparação com 34% das famÃlias de rendimentos médios.
O impacto da subida das taxas de juro é menor no curto prazo para empréstimos a taxa fixa, mas muito maior para empréstimos a taxa variável.
No entanto, a médio e longo prazo, o aumento do preço do dinheiro traduzir-se-á em taxas hipotecárias mais elevadas, aumentando assim fortemente o custo do reembolso da dÃvida das famÃlias que contraÃram hipotecas em anos em que as taxas de juro eram muito baixas.
Um aumento de 10% nos custos de vida básicos, que não é compensado por um aumento do rendimento, reduz o poder de compra em mais de 20% para as famÃlias de rendimentos mais baixos, em comparação com 5% para as famÃlias de rendimentos médios, de acordo com os cálculos dos economistas do BCE.
“As famÃlias com rendimentos mais baixos têm pouca margem financeira para amortecer os preços mais elevados dos alimentos e da energia”, especialmente em paÃses com dÃvidas elevadas e poupanças baixas, acrescenta o relatório do BCE.
Os aumentos das taxas de juro atingirão as famÃlias nos paÃses onde as hipotecas são maioritariamente a taxas variáveis.
Os agregados familiares são os maiores beneficiários de crédito dos bancos da zona euro.
Os empréstimos hipotecários garantidos representavam mais de 75% da dÃvida das famÃlias nos balanços dos bancos no segundo trimestre de 2022, enquanto os empréstimos ao consumo sem garantia representavam 10%.
Mais de 70% da dÃvida bancária das famÃlias na zona euro é atribuÃvel a famÃlias de rendimentos mais elevados, em comparação com 13% para as famÃlias de rendimentos mais baixos.
Mas a percentagem de empréstimos ao consumo, que historicamente têm mais incumprimentos do que hipotecas, entre as famÃlias de rendimentos mais baixos é muito mais elevada.
A maioria dos empréstimos problemáticos dos bancos são empréstimos hipotecários, mas em alguns paÃses os créditos ao consumo problemáticos são muito mais elevados.
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