
Lisboa, 07 nov 2022 (Lusa) — O ministro da Educação do Luxemburgo reconheceu hoje, em Lisboa, que os estudantes portugueses estão em desvantagem quando as suas famÃlias não falam a lÃngua nacional e prometeu colaborar com o Governo português para melhorar a integração destas famÃlias.
Claude Meisch falava aos jornalistas no final da cerimónia de assinatura de dois protocolos que visam o reforço do ensino do português no Luxemburgo, nomeadamente a convenção sobre o ensino a adultos em lÃngua portuguesa e a declaração conjunta luso-luxemburguesa sobre o ensino e promoção da lÃngua e interculturalidade.
O primeiro protocolo visa precisamente responder a uma situação identificada por ambos os paÃses e terminar com a desvantagem que os estudantes de origem portuguesa têm no acesso à escola, quando os pais não falam a lÃngua luxemburguesa.
“Às vezes vemos que, para os que vêm de uma famÃlia que não fala nem compreende a lÃngua nacional ou a lÃngua do sistema educativo, isso é uma desvantagem”, disse o ministro da Educação Nacional e da Infância e da Juventude do Luxemburgo, Claude Meisch.
O protocolo agora assinado “permitirá organizar a formação de base de adultos no Luxemburgo em lÃngua portuguesa”.
“O Luxemburgo é um paÃs muito aberto, com muitas lÃnguas e culturas diferentes (…) e encontramos essa situação nas nossas escolas, temos uma população escolar muito diversa e por isso diversificámos as nossas escolas”, disse o ministro, recordando que neste paÃs foram criadas “várias escolas públicas internacionais para dar a todas os estudantes no Luxemburgo a possibilidade de escolherem a que corresponde à sua lÃngua de origem, a sua cultura de origem”.
O objetivo, especificou, é a integração numa escola de pessoas de diferentes lÃnguas e ‘background’ cultural.
O ministro disse ainda que o Luxemburgo, onde a comunidade mais significativa é de origem portuguesa (cerca de um terço da população total), está a adaptar o modelo escolar tradicional.
Entre as várias ferramentas que disponibiliza está a possibilidade de os adultos aprenderem o francês, dadas as dificuldades que têm com o alemão, a lÃngua em que se aprende a ler e a escrever no Luxemburgo.
“Para nós é importante dar aos nossos estudantes regras e asas”, defendeu, considerando importante que estes “conheçam o passado da famÃlia quando os pais saem de Portugal para o Luxemburgo”.
“Não têm de esquecer o passado, a origem das suas famÃlias”, sustentou.
Anfitrião neste encontro que decorreu no Ministério dos Negócios Estrangeiros, em Lisboa, o secretário de Estado das Comunidades Portuguesas, Paulo Cafôfo, disse que os protocolos agora assinados são “a continuação de um trabalho que está a ser feito de boa integração da comunidade portuguesa e dos lusodescendentes, das novas gerações, na sociedade luxemburguesa, mas também de promoção da lÃngua portuguesa”.
Cafôfo referiu que o Governo português incentiva a comunidade a “não esquecer as suas raÃzes, a lÃngua portuguesa”, mas também a “aceitar e a integrar a cultura do paÃs onde estão a residir”.
E disse que isso está a ser feito “em várias frentes”, nomeadamente na escola, no primeiro ciclo, com os professores portugueses, “mas também com a integração do português como lÃngua no sistema escolar luxemburguês, seja nos cursos complementares, escolas de estudos internacionais públicos, ensino para adultos, com um aspeto muito importante: a certificação”.
“Queremos que as nossas crianças lusodescendentes tenham mais oportunidades, bem integradas na sociedade em que estão, nunca esquecendo a cultura e a lÃngua portuguesa”, adiantou.
Sublinhou o que de mais inovador estes protocolos hoje assinados trazem a este propósito, que é a formação de adultos, nomeadamente a formação em lÃngua portuguesa dos professores do Luxemburgo.
“Não é só a questão de os nossos dos professores portugueses que estão a lecionar, mas também formar os professores luxemburgueses e isto é muito importante, quando a lÃngua portuguesa está integrada no currÃculo escolar do Luxemburgo”, indicou.
E prosseguiu: “Estamos a crescer em número de alunos, seja no ensino paralelo ou integrado, temos este ano mais de 3.100 alunos, no ensino básico e secundário, mais 8,5% em relação ao ano passado e investimos três milhões de euros no Luxemburgo na promoção da lÃngua portuguesa”.
“Há um investimento direto, nosso, mas também do Governo luxemburguês que quer e reconhece a importância da comunidade portuguesa, que é uma mais-valia no desenvolvimento do próprio Luxemburgo e o desenvolvimento e a integração são fatores determinantes nas polÃticas dos dois governos”, acrescentou.
Em 2019, das 291.723 pessoas que viviam no Luxemburgo, 613.894 tinham nascido no estrangeiro, das quais 83.666 nasceram em Portugal (28,7% dos nascidos no estrangeiro a residir no Luxemburgo), segundo dados do Observatório da Emigração.
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