
Manila, 07 nov 2022 (Lusa) — A polÃcia das Filipinas acusou hoje o diretor das prisões do paÃs de ordenar o assassÃnio, no inÃcio de outubro, de Percival Mabasa, um jornalista crÃtico da classe polÃtica e conhecido por expor a corrupção.
O jornalista de 63 anos, mais conhecido como Percy Lapid, foi morto a tiro por dois homens numa mota que o atacaram à entrada de um bairro residencial na parte norte da capital filipina, Manila.
O alegado atirador, Joel Escorial, rendeu-se à s autoridades em outubro, dizendo temer pela vida, depois da polÃcia ter divulgado imagens, retiradas de uma câmara de vigilância, que mostravam o rosto de Escorial.
A polÃcia registou uma denúncia de homicÃdio contra o diretor-geral da administração penitenciária, Gerald Bantag, suspenso desde 21 de outubro, e um assessor de Bantag para a segurança, Ricardo Zulueta.
Gerald Bantag “será provavelmente o funcionário de mais elevado escalão neste paÃs alguma vez acusado num caso desta gravidade”, disse o secretário de Justiça das Filipinas, Crispin Remulla.
Bantag terá ordenado o assassÃnio de Percy Lapid após o jornalista ter “de forma continuada exposto suspeitas” de eventual corrupção na gestão das prisões do paÃs no popular programa de rádio que Lapid apresentava, disse Eugene Javier, da polÃcia de investigação das Filipinas.
Segundo um comunicado conjunto dos ministérios da Justiça e do Interior e da polÃcia, Bantag convocou três lÃderes de organizações criminosas, presos na maior prisão do paÃs, para procurar um atirador para matar Lapid, num contrato de 550 mil pesos (9.450 euros).
Joel Escorial identificou publicamente um preso, Jun Villamor, que disse ter sido designado pelos lÃderes das organizações criminosas para organizar o assassÃnio de Lapid.
Mais tarde, os lÃderes terão matado Villamor dentro da prisão, sufocando-o com um saco plástico, supostamente por ordem de Gerald Bantag e Ricardo Zulueta, disseram as autoridades.
Bantag, que também foi acusado de ordenar a morte de Jun Villamor, negou qualquer envolvimento nos assassÃnios.
O assassÃnio demonstra “a infeliz transformação de um pilar da Justiça — o pilar de correção — numa organização criminosa profunda, em larga escala e sistemática”, admitiu o comunicado conjunto.
“Esta será a causa de muitas reformas no Governo e do fortalecimento dos mecanismos atuais para garantir que nada desta natureza volte a acontecer”, garantiram as autoridades.
Percy Lapid foi o terceiro jornalista a ser morto nas Filipinas este ano, de acordo com a UNESCO.
A organização Repórteres sem Fronteiras classificou as Filipinas em 147.º lugar entre 181 paÃses no relatório de 2022 sobre liberdade de imprensa, caindo seis lugares no ‘ranking’ desde 2016.
As Filipinas estão entre os paÃses mais perigosos do mundo para a prática do jornalismo. Desde o regresso da democracia, em 1986, foram mortos quase 200 jornalistas.
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