
Luxemburgo, 17 out 2022 (Lusa) — Os chefes da diplomacia da União Europeia (UE) reúnem-se hoje para aprovar uma nova missão de treino para o exército ucraniano e sanções aos responsáveis pela repressão aos protestos no Irão, após a morte de uma jovem iraniana.
O encontro – que acontece no Luxemburgo numa altura de escalada de tensões na guerra na Ucrânia após recentes ameaças nucleares e novos bombardeamentos russos em série – é presidido pelo Alto Representante da UE para os Negócios Estrangeiros e a PolÃtica de Segurança, Josep Borrell.
Portugal estará representado pelo ministro da tutela, João Gomes Cravinho.
Depois de Josep Borrell ter dito há dias que um potencial ataque nuclear da Rússia à Ucrânia desencadearia uma “resposta militar” ocidental tão “poderosa” que “aniquilaria” o exército russo, prevê-se nesta reunião dos ministros europeus dos Negócios Estrangeiros um reforço do apoio à Ucrânia, com a adoção formal da missão de formação da UE do exército ucraniano, que se soma à já mobilizada ajuda militar, financeira e humanitária.
Proposta em agosto passado pelo chefe da diplomacia europeia a pedido das forças ucranianas, esta missão deverá então agora ter ‘luz verde’ para a UE conseguir, em solo europeu, treinar cerca de 15 mil soldados ucranianos, principalmente com formação militar básica.
De acordo com fontes europeias, a ideia é que esta missão de treino para o exército ucraniano avance já em novembro em paÃses como a Polónia.
Em junho passado, o Governo português manifestou a disponibilidade de Portugal para dar treino a militares ucranianos, tendo a ministra da Defesa, Helena Carreiras, adiantado na altura existir uma avaliação feita do tipo de formação que o paÃs pode oferecer.
A ofensiva militar lançada a 24 de fevereiro pela Rússia na Ucrânia causou a fuga de milhões de pessoas e a morte de milhares de civis, segundo as Nações Unidas, que classificam esta crise de refugiados como a pior na Europa desde a Segunda Guerra Mundial (1939-1945).
Neste encontro dos chefes da diplomacia da UE será ainda discutida a aplicação de sanções aos responsáveis no Irão pela morte de Mahsa Amini e pela forma como as forças de segurança reagiram à s manifestações desencadeadas pelo caso da jovem curda iraniana, como já avançado por Josep Borrell num debate no Parlamento Europeu no inÃcio do mês.
O Irão tem sido palco de protestos desde que Mahsa Amini, uma jovem curda iraniana de 22 anos, morreu a 16 de setembro depois de ter sido presa em Teerão pela chamada polÃcia de costumes por ter alegadamente violado um código de vestuário que exige que as mulheres usem o ‘hijab’, o véu tradicional muçulmano que cobre a cabeça e os ombros.
Segundo fontes europeias, entre as medidas restritivas agora previstas e que deverão ter hoje aval estão o congelamento de bens na UE e a proibição de entrada no espaço comunitário, que serão aplicadas a cerca de 10 funcionários iranianos responsáveis pela repressão.
Na agenda do encontro consta ainda um debate sobre a guerra na Ucrânia e um outro sobre as relações entre a UE e a China, com o bloco comunitário a querer tornar-se mais autónomo face a potências de paÃses terceiros.
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