
Luanda, 05 set 2022 (Lusa) — A UNITA apontou hoje discrepâncias de mais de 500 mil votos nas eleições angolanas e afirmou que 347 mil foram subtraÃdos ao maior partido da oposição, alterando, a seu favor, os resultados anunciados pela Comissão Nacional Eleitoral (CNU).
Segundo o lÃder da União Nacional para a Independência Total de Angola (UNITA), Adalberto da Costa Júnior, que hoje apresentou os dados em Luanda, a contagem dos votos realizada com base nas atas sÃntese em posse da UNITA pode introduzir alterações nos resultados.
“Os dados apurados pelo centro de contagem e apuramento da UNITA revelam diferenças enormes e inaceitáveis daqueles publicados pela CNE”, destacou.
Segundo os números apresentados 347.436 votos foram subtraÃdos à UNITA em 15 cÃrculos provinciais e 185.825 foram acrescidos ao Movimento Popular de Libertação de Angola (MPLA, no podet) em 16 cÃrculos provinciais, uma soma de 533.261 votos.
“Um número capaz de produzir alterações nos resultados definitivos divulgados pela CNE com reflexo bastante visÃvel no número de mandatos nos cÃrculos provinciais e no cÃrculo nacional e naturalmente nos resultados finais”, disse o presidente da UNITA, hoje em Luanda numa declaração aos jornalistas.
Os resultados definitivos anunciados na semana passada pela CNE angolana deram vitória, com maioria absoluta, ao MPLA, com 51,17% dos votos, um resultado contestado pela UNITA, que obteve 43,95%.
Com estes resultados o MPLA elegeu 124 deputados e a UNITA elegeu 90 deputados, quase o dobro das eleições de 2017.
Mas de acordo com Adalberto da Costa Júnior, se forem adotados os resultados definitivos publicados pela CNE, e acrescer ao resultado da UNITA os votos subtraÃdos (347.436 votos), o partido passaria de 2.756.786 votos (anunciados pela CNE), para 3.104.222 votos correspondentes a 49,5% e; se subtrair ao resultado do MPLA, os votos a mais que lhe foram atribuÃdos (185.825 votos), esta força polÃtica desceria de 3.209.409 atribuÃdos pela CNE para 3.023.584 votos, correspondentes a 48,2%, o que significa que perderia as eleições.
Só em Luanda, a contagem da UNITA aponta para uma diferença de 214.679 votos subtraÃdos, estando neste momento a ser divulgadas publicamente as atas em posse do partido, exemplificou.
“As atas que sustentam a contagem do escrutÃnio paralelo da UNITA podem ser consultadas. O sistema que as processou pode também ser auditado”, sublinhou o dirigente, que apontou também ilegalidades relacionadas com o excesso do número de votantes, existência de duas atas sÃntese para uma mesma assembleia de voto e não publicação dos cadernos eleitorais conforme a lei.
“As discrepâncias acima evidenciadas, indiciam a existência de manipulação dolosa dos resultados, o que só se pode esclarecer mediante comparação com as atas em posse dos concorrentes e da CNE”, declarou Adalberto da Costa Júnior.
O lÃder da UNITA considerou que as violações à lei apontadas “promoveram a obstrução do direito ao voto, com impacto nos resultados eleitorais”, e defendeu que estes atos devem ser alvo de responsabilização criminal dos seus autores, titulares de funções públicas.
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