
Redação, 29 ago 2022 (Lusa) – A Associação Guardiões da Serra da Estrela respondeu à s “necessidades urgentes das comunidades pastoris”, devido ao incêndio que atingiu o Parque Natural da Serra da Estrela (PNSE), e já apoiou 5.399 animais de 108 pastores do território.
Em comunicado enviado à agência Lusa, a associação referiu que, até sexta-feira, conseguiu “suprir todas as necessidades que foram detetadas, pelo que nenhum dos rebanhos da área afetada do PNSE está a passar fome, a sentir necessidades urgentes ou sem os cuidados veterinários de emergência”.
“DistribuÃmos com sucesso 123,2 toneladas de comida, a 108 pastores que contactámos e apoiámos, representando aproximadamente 5.399 animais apoiados, distribuÃdos por 19 freguesias em seis concelhos”, acrescentou.
Segundo a associação, o trabalho foi realizado em regime de total voluntariado, recorrendo “apenas à boa vontade e dedicação daqueles que se sensibilizaram” com a causa, “em defesa da continuidade da pastorÃcia e das comunidades de montanha, doando géneros e dinheiro, ou o seu tempo e energia”.
A Guardiões da Serra da Estrela irá continuar a encaminhar todos os donativos recebidos em géneros para os centros de logÃstica dos municÃpios e das freguesias, “garantindo que os mesmos chegarão a quem ainda não tem garantidas as suas reservas”, e até ter a certeza de “que todos os rebanhos terão a necessária alimentação até ao regresso dos pastos”.
“A partir de hoje, e nos longos tempos que se avizinham, é nossa decisão primar pela continuação dos esforços nas urgências expectáveis, e, em primeiro lugar, pela ativação de planos de apoio à s ações urgentes de estabilização de solos e proteção de linhas de água”, indicou.
Neste âmbito, são objetivos, da associação, apoiar e desenvolver, em conjunto com os baldios e produtores afetados, ações nas áreas prioritárias de intervenção, disponibilizar informação e aconselhamento técnico aos proprietários afetados sempre que se demonstre necessário fazendo a ponte para especialistas parceiros e acompanhar e monitorizar os planos e ações desenvolvidas pelas autoridades competentes.
“É também nossa intenção preparar, desde já, o desenvolvimento de viveiros de germinação de flora autóctone para o qual já estabelecemos contactos, por forma a antecipar a necessidade futura de plantas para reposição e reconversão sustentável do PNSE”, lê-se.
A coletividade referiu, ainda, que os seus elementos irão manter a “efetiva presença junto da comunidade agropastoril da serra da Estrela, dedicando particular atenção à s comunidades afetadas pelos incêndios deste verão”, dando continuidade ao apoio veterinário, na elaboração de candidaturas, na recuperação de pastagens, nascentes e linhas de água, e em todas as necessidades que sejam constatadas no terreno.
A serra da Estrela foi afetada por um incêndio que deflagrou no dia 06 em Garrocho, no concelho da Covilhã (distrito de Castelo Branco) e que foi dado como dominado no dia 13.
O fogo sofreu uma reativação no dia 15 e foi considerado novamente dominado no dia 17 à noite.
As chamas estenderam-se ao distrito da Guarda, nos municÃpios de Manteigas, Gouveia, Guarda e Celorico da Beira, e atingiram ainda o concelho de Belmonte, no distrito de Castelo Branco.
Na quinta-feira, o Governo aprovou a declaração de situação de calamidade para o PNSE, conforme pedido pelos autarcas dos territórios atingidos.
A situação de calamidade foi hoje publicada em Diário da República e vai vigorar pelo perÃodo de um ano, para “efeitos de reposição da normalidade na respetiva área geográfica”.
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