
Bagdade, 29 ago 2022 (Lusa) — O clérigo populista iraquiano Muqtada al-Sadr anunciou hoje a sua “retirada definitiva” da cena polÃtica no Iraque, perante a crise polÃtica que o paÃs árabe vive desde as eleições de outubro de 2021.
“Decidi deixar de intervir nos assuntos polÃticos. Anuncio a minha retirada final e o encerramento de todas as sedes das instituições polÃticas (do movimento sadrista)”, disse o influente clérigo e lÃder do principal partido no Iraque.
O anúncio de al-Sadr ocorre apenas 48 horas depois de ter exigido a exclusão da cena polÃtica de todos os partidos que atuam no Iraque desde 2003, como condição para superar a crise que se vive desde as eleições de outubro.
Contudo, não fica claro como este anúncio de al-Sadr afetará a crise polÃtica, no momento em que os seus apoiantes realizam um protesto no exterior do Parlamento iraquiano, contestando o impasse polÃtico provocado pela oposição.
Al-Sadr, que acusa de “corrupção” as forças polÃticas desde a queda do ex-ditador Saddam Hussein em abril de 2003 após a invasão dos EUA, defendia que “não haveria reforma” se os atuais movimentos polÃticos, incluindo o seu próprio, continuassem a exercer a sua atividade.
“Mais importante do que dissolver o Parlamento e realizar eleições (antecipadas) é não incluir todos os partidos e personalidades que participaram no processo polÃtico desde a invasão dos EUA, em 2003”, disse o clérigo, num comunicado divulgado no sábado.
Isto, explicou o clérigo, “para não incluir todos […] sejam eles dirigentes, ministros ou funcionários pertencentes a partidos […], incluindo o movimento sadrista”, sendo esta “uma alternativa a outras iniciativas” para resolver a crise iraquiana, “incluindo as [propostas] das Nações Unidas”.
Al-Sadr manifestou-se disposto a assinar um acordo que contivesse essa exigência “no prazo máximo de 72 horas”, mas hoje anunciou que ele mesmo se afastava de qualquer intervenção polÃtica no Iraque, saindo de cena “definitivamente”.
O Iraque vive uma crise polÃtica desde que as eleições legislativas de outubro de 2021 deram a vitória ao partido sadrista, mas com apenas 73 lugares nos 329 do Parlamento.
O partido de al-Sadr tentou uma aliança com outras forças parlamentares para eleger o Presidente e o primeiro-ministro, que ficariam encarregados de formar um Governo, o que acabou por não ser possÃvel, devido ao bloqueio dos opositores xiitas, próximos do regime iraniano.
Os deputados sadristas demitiram-se em bloco, em junho, mas, perante a eleição de um Presidente e de um primeiro-ministro propostos pelos opositores, os seguidores de Al Sadr ocuparam o Parlamento, em 30 de julho.
A ocupação durou uma semana e, após um apelo do clérigo, os sadristas retiraram-se do Parlamento e acamparam em frente ao edifÃcio, para exigir a dissolução da Câmara e novas eleições.
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