
Lisboa, 02 ago 2022 (Lusa) — Os 37 enfermeiros da Unidade de Cuidados Intensivos Neonatais do Hospital de Santa Maria pediram escusa de responsabilidade, alegando escassez de profissionais para “dar resposta à s necessidades de uma das unidades mais diferenciadas do paÃs”, foi hoje anunciado.
A declaração de exclusão de responsabilidade foi apresentada na segunda-feira pela equipa de enfermagem, adiantam os enfermeiros num comunicado, acompanhado do documento que foi apresentado à Direção de Enfermagem e ao conselho de administração do Centro Hospitalar Universitário Lisboa Norte (CHULN).
Na base desta decisão, afirmam, está “a escassez de recursos humanos para dar resposta à s necessidades de uma das unidades mais diferenciadas do paÃs e que é serviço fim de linha, situação que faz perigar a segurança dos bebés internados”.
Na declaração, os enfermeiros afirmam que “não estão em condições de assegurar a vida e a segurança dos recém-nascidos, bem como a qualidade dos cuidados de enfermagem prestados ao neonato e famÃlia, pese embora desenvolvam todos os esforços para evitar qualquer incidente ou acidente”.
Para os enfermeiros, “a pressão adicional” sobre os recursos técnicos e humanos disponÃveis vivenciada na unidade está “a tornar-se incomportável”, com particular incidência na equipa de enfermagem.
A UCIN admite recém-nascidos a partir das 24 semanas de idade gestacional, a maioria classificados de alto risco e que carecem de cuidados altamente diferenciados e distintos, tendo capacidade para 19 recém-nascidos, distribuÃdos por quatro salas.
“Os rácios têm sido dois bebés por cada enfermeiro em cuidados intensivos e até quatro bebés em cuidados intermédios, rácios que, por si só, já não cumprem o determinado para as designadas dotações seguras. Assim, em cada turno, para cobrir a totalidade das salas, e excluindo a especificidade do internamento covid, são necessários sete enfermeiros”, prosseguem.Â
Os profissionais salientam que, desde outubro de 2021, a UCIN tem vindo a sofrer um decréscimo no número de elementos que compõem a equipa de enfermagem.
“Entre baixa por gravidez de risco, licença de maternidade, saÃda de profissionais e aposentação estão em falta oito enfermeiros, sendo exigido à restante equipa que efetue os turnos em falta”, enfatizam, sublinhando que a situação é conhecida pela Direção de Enfermagem e Conselho de Administração, “porém não se verificaram, até agora, quaisquer medidas para evitar a situação atual de rutura”.
À data de hoje, somente 29% dos turnos contam com equipa completa de enfermagem, em 60% há um enfermeiro em falta e em 11% estarão dois elementos em falta, no cenário mais favorável possÃvel.Â
“Os horários iniciais de julho e agosto já contemplam as carências, com vários turnos com falta de profissionais de enfermagem. Se em julho 33 turnos contavam com menos um elemento, em agosto esse número ascenderia a 57 turnos, sendo que, neste último, considerou-se que a enfermeira coordenadora prestaria cuidados sempre que a enfermeira em funções de chefia estivesse presente. Caso tal não aconteça, seriam 64 os turnos que carecem de, pelo menos, um enfermeiro”, alertam, acrescentando: “São dois meses abaixo da dotação recomendada e sem perspetiva de alteração num futuro próximo”.
A Lusa pediu esclarecimentos ao Hospital Santa Maria e aguarda resposta.
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