
Nações Unidas, 27 jul 2022 (Lusa) – A ONU considera que o ataque na terça-feira contra as suas instalações no leste da República Democrática do Congo (RDCongo), que provocou a morte de um “capacete azul” e dois polÃcias, pode constituir crime de guerra.
A alegação foi feita pelo porta-voz adjunto do secretário-geral da ONU, Farhan Haq, que, em comunicado, acrescentou que “qualquer ataque dirigido contra ‘capacetes azuis’ pode ser considerado um crime de guerra”, pelo que pediu à s autoridades da RDCongo que “investiguem este incidente e rapidamente responsabilize judicialmente os responsáveis”.
O sucedido na terça-feira, que visou instalações da missão da ONU na RDCongo (Monusco) foi o mais recente de uma série de incidentes contra a ONU no paÃs.
No comunicado, Farhan Haq sublinhou que o secretário-geral da ONU, António Guterres, “condena firmemente” o ataque e transmitiu as suas “profundas condolências” à s famÃlias das vÃtimas, identificadas como um “capacete azul” egÃpcio e dois polÃcias indianos.
“O secretário-geral também condena veementemente a violência contra várias bases da ONU em Kivu do Norte desde 25 de julho, em que indivÃduos e grupos invadiram e se envolveram em saques e na destruição de bens da ONU, bem como saques e incêndios nas residências de funcionários das Nações Unidas”, destacou Haq.
O porta-voz disse ainda que Guterres também lamenta a morte dos manifestantes e reiterou “o compromisso da Monusco em trabalhar com as autoridades da RDCongo para investigar estes incidentes”, recordando ao mesmo tempo o estatuto das forças da ONU com as autoridades de Kinshasa, que “garante a inviolabilidade de instalações das Nações Unidas”.
Finalmente, Farhan Haq disse que Guterres “sublinha o firme compromisso da ONU com a soberania, independência, unidade e integridade territorial da RDCongo”.
“A ONU, através do seu representante especial na RDCongo e da sua missão, mandatada pelo Conselho de Segurança das Nações Unidas, continuará a apoiar o governo e o povo da RDCongo nos seus esforços para alcançar a paz e a estabilidade no leste do paÃs”, concluiu.
A Monusco está estacionada no nordeste da RDCongo há mais de 20 anos, numa tentativa de fortalecer a paz no paÃs, apesar da presença de cerca de 130 grupos armados que disputam o controlo dos vastos recursos naturais do paÃs, designadamente cobre, cobalto, ouro e diamantes.
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