BCE lança instrumento para evitar nova crise de dívidas soberanas

Frankfurt, 21 jul 2022 (Lusa) – O Banco Central Europeu (BCE) anunciou hoje um novo instrumento para proteger os países mais frágeis de ataques especulativos às suas dívidas, após uma reunião em que decidiu subir as taxas de juro.

A criação do Instrumento de Proteção da Transmissão (IPT) foi apresentada pelo BCE como “necessária para apoiar a transmissão eficaz da política monetária”.

“O IPT será uma adição ao conjunto de instrumentos do Conselho do BCE e pode ser ativado a fim de contrariar dinâmicas de mercado desordenadas, injustificadas e passíveis de representar uma ameaça grave para a transmissão da política monetária na área do euro”, indicou o BCE em comunicado.

Depois de ter anunciado em junho um endurecimento da sua política monetária, o BCE aprovou hoje um aumento de 50 pontos base nas suas taxas e os juros das dívidas públicas europeias subiram, em particular os de Itália, numa altura em que o país atravessa uma crise política, com a demissão anunciada do primeiro-ministro, Mario Draghi.

O BCE fala numa “fragmentação” da zona euro que coloca entraves à sua política e que deve ser combatida.

Face a essa fragmentação e para evitar nova crise de dívidas soberanas como a de 2012 foi criado este instrumento, que prevê compras de dívida potencialmente ilimitadas para combater os ataques especulativos.

Segundo a instituição, “o volume das aquisições de ativos ao abrigo do IPT depende da gravidade dos riscos para a transmissão da política monetária” e “as aquisições não estão sujeitas a restrições prévias”.

A instituição definiu também critérios para a sua aplicação, devendo os países elegíveis de cumprir as regras orçamentais da União Europeia (sem procedimento por défice excessivo), com uma trajetória de sustentabilidade na sua dívida pública e sem graves desequilíbrios macroeconómicos.

Na conferência de imprensa que se seguiu à reunião do banco central, a sua presidente, Christine Lagarde, salientou que será o Conselho do BCE a decidir se se aplica a um país, mas insistiu que se trata de uma ferramenta para usar “num momento excecional”, embora tenha igualmente salientado que o BCE “não hesitará” em recorrer a ele.

O BCE referiu também que vai reinvestir com flexibilidade nos títulos adquiridos ao abrigo do programa de compra de ativos lançado durante a pandemia (PEPP) que entretanto vençam, uma carteira que atinge no total 1,7 biliões de euros.

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