
Lisboa, 15 jul 2022 (Lusa) — O ministro dos Negócios Estrangeiros, João Gomes Cravinho, disse hoje que a informação da morte de um “mercenário” português, reivindicada pela Rússia esta semana, “não merece credibilidade nenhuma”.
“Faz parte das armas da Rússia lançar estas ideias. Não temos bases nenhumas para qualquer tipo de confirmação sobre o assunto”, indicou à agência Lusa o governante, à margem da sessão de encerramento do Ciclo de Conferências “A Diplomacia e a Independência de Portugal”, no Palácio da Independência, em Lisboa.
Questionado sobre o número de combatentes portugueses na Ucrânia, João Gomes Cravinho lembrou que o Governo teve conhecimento de sete, julgando “que alguns já terão saÃdo”.
“Os números que nós temos são os mesmos números que demos quando, da última vez, a Rússia também veio com afirmações de portugueses participantes”, atentou, acrescentado não ter “nenhum registo de morte de portugueses em ação na Ucrânia”.
A Rússia reivindicou na terça-feira a morte de 391 combatentes estrangeiros na Ucrânia nas últimas três semanas, incluindo um que o Ministério da Defesa russo identificou como português.
Além dos “mercenários” abatidos pelas forças russas, o ministério disse que, no mesmo perÃodo, 240 combatentes estrangeiros fugiram da Ucrânia e 151 chegaram ao paÃs que a Rússia invadiu em 24 de fevereiro.
“Nas últimas três semanas, o número de mercenários na Ucrânia diminuiu de 3.221 para 2.741 como resultado das ações ofensivas das unidades das Forças Armadas russas e das milÃcias populares das repúblicas de Lugansk e Donetsk”, disse o Ministério da Defesa russo num comunicado.
O ministério divulgou na rede social Telegram uma lista de mercenários por paÃses, em que refere a chegada de 105 de Portugal desde o inÃcio do conflito.
Desse total, 20 figuram como mortos e outros 20 como tendo fugido, pelo que continuariam 65 na Ucrânia, segundo os dados divulgados por Moscovo.
JML (PNG) // PDF
Lusa/Fim



