Óbito/Eduardo dos Santos: Portugal destaca mandato “longo, difícil e complexo”

Lisboa, 08 jul 2022 (Lusa) – O ministro dos Negócios Estrangeiros de Portugal, João Gomes Cravinho, disse hoje que o antigo Presidente angolano José Eduardo dos Santos, que morreu hoje, tem um papel “indelével na história de Angola”, num mandato presidencial “longo, complexo e difícil”.

“Portugal lamenta profundamente a morte de José Eduardo dos Santos”, afirma o ministro, num testemunho enviado à Lusa, em que salienta a figura “profundamente marcante, indelével da história de Angola independente” do antigo líder.

“O seu longo período no poder foi complexo e difícil, houve anos de guerra e de paz, e quero sublinhar essa capacidade que teve de, juntamente com a outra parte, encontrar o caminho para a paz, foram anos em que depois da guerra civil se conseguiu implementar um processo democrático e ao longo de todos os anos em que foi Presidente da República, Portugal nunca deixou de ser uma referência e houve sempre uma procura de proximidade de parte a parte, apesar das dificuldades, em parte elas próprias resultando da grande proximidade sentida entre os povos”, conclui Gomes Cravinho.

José Eduardo dos Santos morreu hoje aos 79 anos numa clínica em Barcelona, Espanha, após semanas de internamento, anunciou a presidência angolana, que decretou sete dias de luto nacional.

José Eduardo dos Santos sucedeu a Agostinho Neto como Presidente de Angola em 1979 e deixou o cargo em 2017, cumprindo uma das mais longas presidências no mundo, marcada por acusações de corrupção e nepotismo.

Em 2017, renunciou a recandidatar-se e o atual Presidente, João Lourenço, sucedeu-lhe no cargo, tendo sido eleito também pelo Movimento Popular de Libertação de Angola (MPLA), que governa no país desde a independência de Portugal, em 1975.

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