
Lisboa, 28 jun 2022 (Lusa) – Os empresários da Avenida da Liberdade e ruas adjacentes, no centro de Lisboa, estão “muitÃssimo preocupados” com o impacto das obras do Plano de Drenagem na dinâmica comercial, mas realçam a “total transparência” da câmara, afirmou hoje a UACS.
“O esforço que a câmara vai fazer é, dentro do possÃvel, minimizar o impacto forte que a obra irá ter, realmente, no comércio […]. Isto não invalida que estamos todos muitÃssimo preocupados”, disse a presidente da União de Associação de Comércio e Serviços (UACS), Carla Salsinha, após uma reunião de apresentação do Plano Geral de Drenagem de Lisboa, que decorreu na segunda-feira, com empresários da Avenida da Liberdade e ruas adjacentes.
Carla Salsinha indicou que os comerciantes ficaram “surpreendidos pela positiva” com os esclarecimentos prestados pela Câmara Municipal de Lisboa, através da vereadora das Obras Municipais, Filipa Roseta (PSD), e por estar a ser “uma obra muito esmiuçada”, uma vez que “muitas das vezes” as intervenções municipais “são feitas sem um mÃnimo de concertação e de respeito pelos empresários”.
A presidente da UACS adiantou que o cronograma do Plano Geral de Drenagem de Lisboa, segundo a apresentação da câmara municipal, prevê que a obra comece na zona da Avenida da Liberdade no inÃcio de janeiro de 2023 e que tenha a duração de 18 meses, perÃodo no qual o trânsito irá sofrer perturbações, inclusive o corte de circulação nas ruas de São José, de Santa Marta e parte da Alexandre Herculano.
“É uma obra grande e vai criar, seguramente, constrangimentos aos empresários, mas da parte da câmara municipal e da própria vereadora há uma total transparência, uma total predisposição para que os empresários estejam envolvidos”, reforçou a representante dos comerciantes, destacando a abertura do executivo camarário para acolher contributos para ajudar a minimizar o impacto da intervenção na dinâmica comercial.
O Plano Geral de Drenagem de Lisboa, com o perÃodo de execução 2016-2030, é “a obra invisÃvel” que vai proteger a cidade para os impactos das alterações climáticas, nomeadamente evitar cheias e inundações, permitir a reutilização de águas e diminuir a fatura da água potável, segundo a câmara municipal, referindo que está prevista a construção de dois grandes túneis, um entre Monsanto e Santa Apolónia e outro entre Chelas e Beato, e a conclusão da obra está prevista para o inÃcio de 2025, num investimento total de 250 milhões de euros.
Para a UACS, o Plano de Drenagem “é fundamental”, para responder ao problema das cheias na Baixa de Lisboa, em particular nas ruas de São José e de Santa Marta, que “quando há grandes chuvadas sofrem cheias”, e é um projeto que anda a ser preparado desde 2008, portanto “há 14 anos”.
“Houve uma tranquilidade que a câmara deu: que nenhum dos passeios que têm acesso à s lojas vai ser cortado, ou seja, em termos de pedonais, as pessoas têm acesso sempre à s lojas”, referiu Carla Salsinha, indicando que as obras não preveem perturbações na circulação do Metropolitano de Lisboa.
O estaleiro das obras deve ser montado após o perÃodo de Natal deste ano, acrescentou a presidente da UACS, considerando que, após serem colocados tapumes, os consumidores acabam “muitas vezes” por se retrair de ir a essas zonas, o que terá impacto na dinâmica comercial.
“É óbvio que isto vai fazer com que, numa primeira fase, muitos dos consumidores tenham alguma relutância”, frisou a representante dos comerciantes, realçando a promessa da câmara de “um plano de comunicação até tornar a obra atrativa”, inclusivamente a hipótese de os cidadãos poderem ver a máquina que vai ser utilizada, a tuneladora H2OLisboa, que tem cerca de 100 metros de comprimento e que vai avançar cerca de 10 metros por dia.
Relativamente ao impacto no comércio, a UACS está a fazer um levantamento dos mais de 200 estabelecimentos na zona da Avenida da Liberdade, para iniciar, com a Câmara Municipal de Lisboa e com a Junta de Freguesia de Santo António, um processo de pedido de isenção de taxas de licenciamentos, de ocupação do espaço público e de publicidade, assim como de indemnizações para os comerciantes mais afetados.
“Vamos tentar fazê-lo até ao fim de setembro, antes de a obra começar, para começarmos todos com tranquilidade”, apontou.
Depois das obras do Plano de Drenagem, a zona da Avenida da Liberdade deve ser requalificada, intervenção que a UACS defende “que seja feita logo de seguida”, mas esse projeto ainda tem de ser apresentado pela câmara.
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