Vila Nova de Famalicão, Braga, 27 jun 2022 (Lusa) – O presidente da Comissão Executiva da Caixa Geral de Depósitos (CGD) alertou hoje que é necessário acelerar a disponibilização das verbas do Plano de Recuperação e Resiliência (PRR) à s empresas, para as ajudar a ultrapassar os efeitos da crise.
Em Vila Nova de Famalicão, distrito de Braga, na abertura de mais um encontro Fora da Caixa, Paulo Macedo sublinhou que a “quantidade de ‘cash'” que já está nas empresas “ainda é muito, muito diminuta”.
“A questão mais importante neste momento é ele [PRR] materializar-se. A quantidade de ‘cash’ nas empresas ainda é muito, muito diminuta, ainda temos toda uma fase de projetos por aprovar”, referiu.
Aludindo aos efeitos da guerra na Ucrânia na economia portuguesa, o presidente da CGD destacou o “fator curioso” de o paÃs apresentar, segundo as últimas projeções do Banco de Portugal, um “crescimento significativo”, ao contrário do que acontece na generalidade da Europa e mundo.
“Não se esperava um crescimento tão significativo [em Portugal]”, referiu, dando conta de que esse crescimento deriva do impacto de 2021 e, numa parte significativa, do setor do turismo.
“2022 será um ano positivo para o nosso paÃs”, vaticinou, sublinhando, no entanto, que, face à volatilidade da situação atual, é necessário esperar pelos números do quarto trimestre.
Paulo Macedo disse ainda que o aumento dos preços de muitos produtos essenciais decorrente da guerra vai criar “uma pressão salarial”.
“As pessoas têm menos rendimento disponÃvel e, além disso, as pensões para o ano vão aumentar 5%, o que vai criar uma pressão adicional sobre os salários”, explicou.
Em relação à s taxas de juro, Macedo disse que, neste momento, estão “historicamente baixas”, mas adiantou que irão inevitavelmente subir.
“Resta saber que nÃvel é que vão ter”, disse, explicando que as taxas de juro vão depender da inflação e do crescimento económico.
Para o presidente executivo da Caixa, Portugal continua a ter uma dÃvida pública “muito significativa”, o que, a juntar à dÃvida climática, significa “um peso muito grande para as gerações futuras”.
“Quando o secretário-geral das Nações Unidas pede desculpa à s gerações futuras, eu acho que não é apenas um gesto sem significado. Quando achamos sempre que o Estado deve gastar mais, quando achamos sempre que a nossa parte não é tão significativa na poluição, é de facto um encargo concreto que estamos a passar”, afirmou.
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