
Niterói, Brasil, 26 jun 2022 (Lusa) — Amigos e familiares, reunidos num cemitério nos arredores do Rio de janeiro, prestaram hoje a última homenagem ao jornalista britânico Dom Phillips, assassinado, juntamente com o ambientalista Bruno Pereira, na Amazónia.
“Em primeiro lugar, gostaria de expressar a minha eterna gratidão aos povos indÃgenas, que estão connosco como guardiões leais da vida, da justiça e das nossas florestas”, disse Alessandra Sampaio, mulher de Phillips, morto quando fazia investigação para um livro sobre como salvar a maior floresta tropical do mundo.
“Hoje, Dom será cremado no Brasil, no paÃs que amava, na sua casa escolhida. Hoje é dia de luto”, declarou Alessandra à entrada do cemitério.
Phillips, de 57 anos, e o ativista Bruno Pereira, de 41 anos, desapareceram no dia 05 de junho no rio Itaquai, perto da entrada do Território IndÃgena do Vale do Javari, que faz fronteira com o Peru e a Colômbia.
Dez dias depois os corpos foram encontrados e três pescadores ilegais foram detidos, sendo que dois deles confessaram os homicÃdios, de acordo com a polÃcia.
A região mantém um longo conflito entre tribos indÃgenas e pescadores pobres contratados para invadir o Vale de Javari para fazer capturas ilegais. Pereira, que era funcionário do departamento de assuntos indÃgenas do Brasil, lutou durante anos contra estas invasões e recebeu múltiplas ameaças pelo seu trabalho.
“Ele foi morto porque tentou dizer ao mundo o que estava a acontecer à floresta tropical e aos seus habitantes”, disse a irmã de Phillips, Sian.
“Dom entendeu a necessidade de uma mudança urgente nas abordagens polÃticas e económicas para a conservação. A sua famÃlia e os seus amigos estão empenhados em continuar esse trabalho mesmo neste momento de tragédia. A história deve ser contada”, declarou.
Phillips escreveu sobre o Brasil durante 15 anos, incluindo como colaborador para o The Washington Post e o The New York Times e regularmente para o The Guardian.
O velório do ativista brasileiro Bruno Pereira foi na quinta-feira e ficou marcado por uma emotiva homenagem dos povos indÃgenas.
Em redor do caixão, cerca de 20 indÃgenas Xucuru cantaram hinos como parte de um ritual fúnebre, no cemitério Morada da Paz em Paulista, perto de Recife (nordeste), de onde Bruno era originário, segundo a France-Presse (AFP), presente no local.
No âmbito das investigações, a PolÃcia Federal explicou que os principais suspeitos agiram sozinhos, afastando assim a possibilidade de um “autor intelectual ou organização criminosa por trás do crime”.
No entanto, o caso continua em aberto e as autoridades não descartam a possibilidade de prenderem mais pessoas.
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