
Lisboa, 26 jun 2022 (Lusa) — A Juventude Social-Democrata propõe, na moção que levará ao Congresso do PSD, que o partido adote o método de eleições primárias na escolha do seu presidente e direção, com os congressos a realizarem-se antes do sufrágio.
O texto, a que a Lusa teve acesso, intitulado “Modernizar, Abrir e Afirmar: colocar o PSD na Linha da Frente” retoma o documento que foi entregue em meados de maio por esta estrutura autónoma do partido aos então candidatos à liderança, Jorge Moreira da Silva e LuÃs Montenegro, que veio a ser eleito presidente do partido.
Na proposta temática que será votada no 40.º Congresso do PSD – que se realiza no próximo fim de semana, no Porto -, os jovens propõem uma “reforma interna” do PSD, considerando que o partido “não conseguiu apresentar a alternativa reformista que os portugueses exigiam e Portugal precisava” nas eleições legislativas de janeiro.
Entre as propostas desta estrutura – liderada pelo deputado social-democrata Alexandre Poço – está uma revisão estatutária que permita a instituição de “eleições diretas primárias para a escolha do presidente do PSD e restante direção nacional do partido, dando o direito de voto aos cidadãos que quiserem participar na eleição, sendo ou não militantes do PSD”.
Em consequência desta proposta, a JSD defende o fim da obrigatoriedade do pagamento de quotas para poder participar na escolha do lÃder do partido, exigindo-se apenas um “compromisso de adesão aos princÃpios e valores do PSD”.
A JSD quer ainda um “novo papel” para os congressos nacionais, que atualmente se realizam após as eleições diretas, já com um lÃder eleito.
Para os jovens sociais-democratas, com a instituição das eleições primárias, o Congresso Nacional do PSD “deve ser em momento prévio a essa eleição”, permitindo que estas reuniões magnas “voltem a ter interesse polÃtico e mediático, com discussão de projetos polÃticos alternativos, apresentação de equipas e das linhas gerais de cada moção de estratégia global”.
“Neste Congresso Nacional prévio à s eleições diretas primárias seriam eleitos pelos congressistas os demais órgãos nacionais do partido”, acrescentam, sugerindo que os militantes votem num presidente e na sua equipa ao mesmo tempo.
Os jovens sociais-democratas propõem também a mudança da sede nacional do PSD, atualmente situada na Rua São Caetano, em Lisboa, para um “lugar mais central da cidade”, por considerarem que o atual espaço é “pouco apelativo e pouco convidativo a quem deseje entrar em contacto fÃsico com o partido”.
Num documento com cerca de 20 páginas, esta juventude defende a criação da figura do diretor-geral do PSD “responsável por toda a transformação organizacional do partido, tendo a confiança polÃtica máxima do presidente e da Secretaria-Geral da Comissão PolÃtica Nacional” e uma “reformulação do Instituto Francisco Sá Carneiro”, transformando-o num grande ‘think thank’, “que permita a qualquer pessoa interessada a inscrição” e que faça, por exemplo, parcerias com escolas e instituições de ensino superior.
É sugerida ainda a profissionalização do Conselho Estratégico Nacional (CEN), para que tenha uma equipa dedicada à s suas funções a 100%, e um programa de formação regular e transversal a todas as áreas da governação, desde o âmbito local ao internacional, passando pelo patamar nacional”, aberto a todos os cidadãos e “de frequência recomendada a todos os militantes do PSD e obrigatória para todos os candidatos externos do partido, com um sistema de avaliação”.
Um “projeto-piloto para testar a consagração do voto eletrónico em eleições internas”, a resolução de problemas na filiação de novos militantes, uma “comunicação digital concertada” ou até um podcast e uma loja com produtos do partido (a ‘PSD store’) estão também entre as propostas deixadas pelos jovens sociais-democratas.
No Congresso do PSD, só o presidente eleito pode apresentar uma moção de estratégia global, enquanto as propostas temáticas podem ser apresentadas pela direção, pelas várias estruturas autónomas do partido (JSD, ASD e TSD), pelas estruturas regionais e distritais ou ainda subscritas por 1.500 militantes ou por 50 delegados.
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