
Recife, Brasil, 26 jun 2022 (Lusa) — Pelo menos um indÃgena morreu e outros nove ficaram feridos durante uma operação da polÃcia brasileira numa fazenda no estado de Mato Grosso do Sul, perto da fronteira com o Paraguai.
O Conselho IndÃgena Missionário (Cimi), vinculado à Igreja Católica, confirmou no sábado a morte de VÃtor Fernandes, 42 anos, membro da comunidade Guarani-Kaiowá, em operação realizada pela PolÃcia Militar no municÃpio de Amambai.
De acordo com o Cimi, Fernandes e outros nove membros da comunidade foram atingidos durante uma incursão, “sem ordem judicial”, da PolÃcia Militar numa fazenda ocupada por indÃgenas, que reivindicam a posse da terra.
O Hospital Regional de Amambai confirmou a morte de Fernandes e o internamento de outros quatro indÃgenas feridos, incluindo um em estado grave, após ter sido baleado na cabeça.
A PolÃcia agiu a pedido do proprietário da fazenda e usou “armas letais e até um helicóptero” para forçar a retirada dos indÃgenas, disse o Cimi.
A Secretaria de Estado de Justiça e Segurança Pública do Mato Grosso do Sul, entretanto, indicou que três agentes também foram feridos por balas durante a operação.
O governo regional não explicou porque a operação foi realizada sem ordem judicial, nem porque foi a PolÃcia Militar a implementá-la. Ações envolvendo indÃgenas são habitualmente entregues no Brasil à PolÃcia Federal.
Em maio, um indÃgena de 17 anos morreu, em circunstâncias semelhantes, numa fazenda vizinha, também reivindicada pela comunidade Guarani-Kaiowá, quando foram atacados por fazendeiros armados.
Cerca de 10 mil indÃgenas vivem na reserva Amambai, numa área de 2.400 hectares, onde há um século que as comunidades reivindicam algumas fazendas ocupadas por agricultores.
A morte de VÃtor Fernandes ocorre um dia após o enterro em Recife, no nordeste, do paÃs, do ativista brasileiro dos direitos indÃgenas Bruno Pereira, que foi morto aos 41 anos durante uma expedição à Amazónia com o jornalista britânico Dom Phillips.
“Este crime é a ponta do iceberg da situação crÃtica no Brasil de hoje, causada pela forma como o Estado lida com as questões indÃgenas”, disse à agência France Presse Vania Fialho, uma antropóloga de 56 anos de idade que assistiu ao funeral de Bruno Pereira.
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