
Roma, Itália, 25 jun 2022 (Lusa) – O Papa Francisco celebrou hoje as famÃlias e exortou-as a evitar decisões “egoÃstas” que são “indiferentes à vida”, na sequência da decisão, sexta-feira, do Supremo Tribunal dos Estados Unidos de eliminar a proteção federal do direito ao aborto.
Segundo a agência de notÃcias norte-americana Associated Press (AP), o Papa Francisco, que presidiu ao encerramento do X Encontro Mundial das FamÃlias, no Vaticano, não se referiu explicitamente à quela decisão nem utilizou a palavra aborto, mas alertou para a necessidade de defender as famÃlias, condenando a “cultura do desperdÃcio” que considera estar associada à aceitação social do aborto.
“Não deixemos que a famÃlia seja envenenada pelas toxinas do egoÃsmo, do individualismo, da cultura atual da indiferença e do desperdÃcio, e com isso perca seu próprio ADN, que é o espÃrito de acolhimento e serviço”, afirmou aos milhares de pessoas que se juntaram na Praça de São Pedro no encerramento do Encontro Mundial das FamÃlias, que decorreu durante quatro dias.
Para o Papa, que proferiu a homilia sentado, devido a um problema num joelho, mas que se levantou em alguns momentos com a ajuda de uma bengala, “alguns casais permitem que seus medos e ansiedades frustrem o desejo de trazer novas vidas ao mundo”, apelando à rejeição desses “desejos egoÃstas”.
Francisco defendeu a oposição da Igreja ao aborto, que comparou à “contratação de um assassino para resolver um problema”, apesar de manifestar compreensão pelas mulheres que já recorreram à interrupção da gravidez, facilitando a “absolvição do pecado” daquela prática.
A Igreja Católica sustenta que a vida começa na conceção e deve ser protegida e defendida até a morte natural.
O Vaticano saudou a decisão de sexta-feira que anulou a decisão de 1973 que forneceu proteções constitucionais para o aborto nos Estados Unidos, prática que já é ilegal em nove estados.
O principal órgão de bioética da Santa Sé, a PontifÃcia Academia para a Vida, desafiou “o mundo inteiro” a reabrir o debate sobre a necessidade de proteger a vida. O aborto é legal em Itália e na maior parte da Europa.
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