
Praia, 22 jun 2022 (Lusa) — O primeiro-ministro cabo-verdiano, Ulisses Correia e Silva, disse hoje que a economia azul é “prioridade” da agenda 20-30 e afirmou que um dos objetivos estratégicos é transformar o arquipélago numa “plataforma logÃstica e marÃtima de referência”.
Na sua intervenção no arranque do debate mensal no parlamento em que participa, tendo como tema as economias azul e verde e desenvolvimento sustentável, o chefe do Governo apontou serviços para essa plataforma como a atividade portuária, reparação naval, pesca, aquacultura, energia limpa, turismo e eventos náuticos internacionais.
Outro dos objetivos estratégicos indicados é de promover o desenvolvimento sustentável dos recursos marinhos, mas também posicionar Cabo Verde como um centro de desenvolvimento de competências no domÃnio da economia azul, com formação técnica e profissional e ensino superior, e posicionar o paÃs como um parceiro credÃvel e útil na segurança cooperativa marÃtima.
“Reformas, medidas e investimentos foram implementados e estão em curso para atingir esses objetivos”, garantiu o primeiro-ministro, enumerando como medidas a aprovação da Carta PolÃtica da Economia Azul, a criação da Zona Económica Especial MarÃtima em São Vicente, o Campus do Mar, preservação dos recursos do mar e desenvolvimento das pescas e aquacultura.
Na sua intervenção, Ulisses Correia e Silva sublinhou ainda “investimentos importantes” para a resiliência do setor agrário e do desenvolvimento rural, mas também na transição energética e na economia azul e “ganhos importantes” na conservação e preservação do ambiente.
Entre os projetos em execução, apontou a requalificação e modernização do porto marÃtimo da ilha do Maio, o Terminal de Cruzeiros de Mindelo, novo cais de pesca em Tarrafal de São Nicolau, a expansão e modernização do Porto da Palmeira, na ilha do Sal e a terceira fase em preparação de construção de uma rede de Gares MarÃtimas.
As ideias do primeiro-ministro foram corroboradas por João Gomes, lÃder parlamentar do Movimento para a Democracia (MpD), partido no poder, que propôs o tema para debate na segunda e última sessão parlamentar do mês, que assinalou as sucessivas crises que o paÃs enfrentou nos últimos anos, como a seca, a pandemia e a guerra na Ucrânia, entendendo, ainda assim, que aumentaram a resiliência do arquipélago.
O deputado do MpD lembrou ainda que o paÃs está muito exposto aos impactos negativos das mudanças climáticas, considerando, por isso, importante estar preparado para essas alterações, bem como fazer uma “boa gestão” do setor marinho do paÃs, que é 99% de mar.
A deputada do Partido Africano da Independência de Cabo Verde (PAICV, oposição), Josina Freitas Fortes, questionou as prioridades do Governo para a economia azul e pediu investimentos nos cais e nos portos, nas pescas e na investigação cientÃfica e inquéritos sobre as pescas.
A deputada do maior partido da oposição exigiu ainda reforço da fiscalização marÃtima e maior e melhor distribuição de gelo aos pescadores, uma legislação para o mar e dados sobre a contribuição da economia azul para o Produto Interno Bruto (PIB), bem como o combate contra o plástico, vigilância do ambiente marinho e regulamentação do ecoturismo.
“É chegado o momento de ir além da retórica, é chegada a hora do pragmatismo e humildade”, pediu.
Por sua vez, o deputado da União Cabo-verdiana Independente e Democrática (UCID, também oposição), António Monteiro, sublinhou que Cabo Verde tem grandes oportunidades na economia azul e verde, mas lamentou que estão a ser perdidas.
Neste sentido, entendeu que é preciso passar dos anúncios aos atos e “acelerar o processo” para ter as ilhas “devidamente cuidadas” e criar riqueza através destes dois setores.
“Infelizmente, o que nós temos assistido é muita retórica. Temos tido muitas intenções, diria mesmo, boas intenções, mas que não têm passado disto”, lamentou o deputado do terceiro partido com representação parlamentar em Cabo Verde.
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