
Cairo, 04 jun 2022 (Lusa) — O alto representante da União Europeia para a PolÃtica Externa, Josep Borrell, alertou hoje que as opções para restabelecer o acordo nuclear com o Irão “estão a diminuir”, embora tenha defendido fazer “um esforço extra”.
“A possibilidade de chegar a um acordo e retornar ao Plano de Ação Conjunto Global está a diminuir”, disse Borrell, que conclui hoje uma visita de três dias à Jordânia.
“Mas ainda podemos alcançá-lo com um esforço extra”, acrescentou, numa mensagem divulgada na rede social Twitter, o chefe da diplomacia europeia, que atua como coordenador da UE nas negociações para alcançar um acordo nuclear com Teerão.
O Plano de Acção Conjunto Global é um acordo internacional assinado em 2015 entre Irão, a Alemanha, China, Estados Unidos, França, Reino Unido, Rússia e União Europeia.
O acordo determinou que o Irão eliminaria as suas reservas de urânio enriquecido, eliminaria 98% das suas reservas de urânio enriquecido e não construiria centrais especializadas em energia nuclear.
Em 2018, o então Presidente dos Estados Unidos Donald Trump retirou unilateralmente o paÃs do acordo e restabeleceu sanções contra o Irão, o que levou Teerão a libertar-se gradualmente das restrições com que tinha concordado em 2015 relativamente à s suas atividades nucleares.
Os diplomatas retomaram as negociações em novembro passado, já com os Estados Unidos sob presidência de Joe Biden, embora este paÃs continue a participar apenas indiretamente.
No entanto, as conversações estão paralisadas desde meados de março, após quase um ano de discussões e quando parecia que o acordo estava concluÃdo.
“Como coordenador, estou pronto para, a qualquer momento, facilitar uma solução para as últimas questões pendentes”, indicou Borrell.
O alto representante da União Europeia para a PolÃtica Externa já tinha pedido, em ocasiões anteriores, para que o diálogo seja retomado, mas o Irão insiste que, para isso, os Estados Unidos têm de suspender as sanções que pesam sobre a Guarda Revolucionária, algo que Washington não se mostra disposto a fazer.
A situação ficou mais tensa no inÃcio desta semana, quando a Agência Internacional de Energia Atómica, que pertence ao universo da ONU, alertou que o Irão continuava a enriquecer urânio, incluindo material com um nÃvel de pureza próximo do necessário para fabricar armas atómicas.
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