
Genebra, 02 jun 2022 (Lusa) — A Coreia do Norte assumiu hoje a presidência da Conferência de Desarmamento da ONU sob crÃticas devido à sua polÃtica de armamento e aos ensaios com mÃsseis, violando as normas internacionais do Conselho de Segurança.
Todos os meses, a presidência da Conferência sobre Desarmamento fica sob a responsabilidade de um dos seus 67 Estados-membros, por ordem alfabética, e em junho pertence ao paÃs liderado por Kim Jong-un.
Na tomada de posse, o embaixador norte-coreano, Han Tae Song, comprometeu-se a “respeitar as posições de todas as delegações”, mas pediu que se concentrassem na agenda da Coreia do Norte.
Apelou ainda aos restantes membros que evitassem “atitudes politizadas”, que pudessem conduzir a um clima de confronto.
Em nome de vários paÃses de todas as regiões, em particular da Europa e da América Latina, a delegação australiana declarou que ia participar nas sessões da conferência sob a presidência norte-coreana, mas deixou claro que esta participação não deve ser interpretada como uma tolerância para com “as ações da Coreia do Norte, que violam numerosas resoluções do Conselho de Segurança da ONU”.
Uma das opções em cima da mesa era boicotar as sessões de trabalho deste mês, mas os Estados-membros optaram por participar até que a Coreia do Norte conclua o seu mandato a 24 de junho, apesar de os embaixadores europeus já terem garantido não assistirem à s sessões.Â
A Austrália acrescentou que o grupo de paÃses que representará continua “profundamente preocupado com os progressos [norte-coreanos] no desenvolvimento de armas de destruição maciça e de mÃsseis balÃsticos, bem como com o sétimo ensaio nuclear relatado pelo paÃs”.Â
Só em 2022, a Coreia do Norte já realizou cerca de 20 ensaios de mÃsseis, incluindo um modelo de gama de alcance intercontinental e ainda de mÃsseis hipersónicos, apesar de este último caso ainda não ter sido confirmado.
Em resposta à s crÃticas dos vários paÃses relativamente à presidência, o embaixador norte-coreano em Genebra justificou que aposta no armamento por parte do Governo da Coreia do Norte deve-se ao estado de guerra do seu paÃs com os Estados Unidos (EUA).
“O meu paÃs segue em guerra com os EUA, por outras palavras, a guerra da Coreia dos anos 50 ainda não acabou e encontramo-nos num estado de cessar-fogo. Além disso, temos estado sujeitos a todo o tipo de ameaças dos Estados Unidos, incluindo a utilização de armas nucleares”, disse Tae Song.
O norte-coreano acusou ainda os EUA de provocações ao prosseguir com exercÃcios militares na região todos os anos, obrigando “a desenvolver capacidades de defesa nacional com o único objetivo de defender o nosso Estado”, comentou.
“A História demonstra que quando um paÃs é atacado ou invadido, nenhum outro paÃs o vai proteger e cabe ao paÃs defender-se a si próprio”, continuou o embaixador.
O representante dos Estados Unidos, que respondeu aos comentários de Han Tae Song, ofereceu novamente à Coreia do Norte a via do diálogo.
As últimas negociações realizadas entre os dois paÃses aconteceram durante o governo de Donald Trump, que chegou a deslocar-se a território norte-coreano e falar brevemente com o lÃder do paÃs, Kim Jong Un.
Segundo as declarações de hoje do delegado norte-americano, os EUA “mantêm-se comprometidos com a solução diplomática e esperam que a Coreia do Norte aceite as repetidas ofertas de diálogo”.
Â
BZF/NS // NS
Lusa/Fim



