
São Paulo, 27 mai 2022 (Lusa) — O Presidente do Brasil, Jair Bolsonaro, que pretende renovar o mandato nas eleições de outubro, pediu hoje a centenas de bispos evangélicos que usem sua palavra para alertar sobre os ‘valores cristãos’ contra uma alegada ameaça da esquerda.
“Vocês são importantes, a polÃtica faz parte da nossa vida e milhões de pessoas ouvem suas palavras”, disse Bolsonaro a centenas de bispos reunidos numa convenção das Assembleias de Deus do Ministério Madureira, formadas por igrejas evangélicas que, nos últimos anos, aumentaram sua influência em todo o Brasil.
No entanto, apesar da expansão dessas igrejas, nas quais Bolsonaro estabeleceu parte da sua base polÃtica, as últimas sondagens refletem um avanço do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva entre eleitores evangélicos, e já aparece empatado tecnicamente com o Presidente brasileiro na preferência deste eleitorado.
Uma sondagem divulgada na quinta-feira pelo Datafolha indicou que Bolsonaro perdeu terreno e conta com 39% de apoio entre os evangélicos, contra 36% deste público que declarou votar em Lula da Silva.
Nesse contexto, Bolsonaro exortou os pastores a defenderem “valores cristãos” contra alegadas “ameaças” da esquerda.
“Essas pessoas que agora se apresentam como solução não respeitam a famÃlia, querem sexualizar as crianças, dizem que vão colocar os militares e os pastores em seus devidos lugares, dizem que o aborto é como arrancar um dente e querem calar [nossa] boca nas redes sociais”, disse Bolsonaro.
“Sempre espero coragem, sabedoria e força de Deus”, acrescentou o Presidente brasileiro, que se dirigiu aos pastores afirmando que eles devem usar o “poder de sua palavra” para alegadamente alertar “onde o Brasil pode chegar” em caso de vitória de Lula da Silva, que é o principal lÃder do Partido dos Trabalhadores (PT).
O ex-presidente brasileiro, por sua vez, adotou uma postura oposta ao afirmar que não irá misturar polÃtica com religião.
“Não vou misturar religião com polÃtica. Cada um segue a fé que quiser. O governante não tem que se meter nisso, nem ficar usando padre ou pastor. O governante tem que deixar as pessoas cuidarem da sua fé com paz e respeito, sem usar o nome de Deus em vão”, escreveu Lula da Silva na rede social Twitter.
Bolsonaro também admitiu em seu discurso na convenção das Assembleias de Deus do Ministério Madureira que o Brasil “tem muitos problemas”, mas rejeitou assumir culpas e atribuiu a responsabilidade sobre a inflação, que supera 12% ao ano, e o alto Ãndice de desemprego, próximo a 13%, aos efeitos da pandemia de covid-19 e a invasão russa na Ucrânia.
O Presidente brasileiro também garantiu que seu Governo trabalha para minimizar esses impactos, mas disse que só pode fazer “o que é possÃvel”, porque “devemos deixar o impossÃvel nas mãos de Deus.”
Â
CYR // PJA
Lusa/Fim
Â



