
Gondomar, Porto, 26 mai 2022 (Lusa) — A remoção dos resÃduos perigosos depositados em São Pedro da Cova, em Gondomar, será retomada e demorará quatro meses, garantiu hoje a Comissão de Coordenação e Desenvolvimento Regional do Norte (CCDR-N), após obter visto do Tribunal de Contas.
“A CCDR-N obteve visto prévio do Tribunal de Contas para a extensão do contrato dos trabalhos de remoção de resÃduos perigosos depositados nas escombreiras das antigas minas de São Pedro da Cova, em Gondomar, tendo em vista a sua conclusão em definitivo”, refere a comissão numa nota de imprensa enviada à agência Lusa.
No mesmo texto, a CCDR-N garante que “os trabalhos complementares serão plenamente retomados e têm duração prevista de quatro meses”.
Em causa está a retirada total dos resÃduos perigosos, uma extensão de trabalhos, com um valor previsto de dois milhões de euros, necessária depois de ter sido identificada a existência de mais 17.000 toneladas de resÃduos face à s estimativas anteriores.
Estas toneladas que não constavam do plano de remoção anterior foram localizadas “em depressões do terreno com área e profundidade apreciáveis ou relativas a vários maciços ferrosos (também contaminados), com densidade cerca de cinco vezes superior à densidade média da massa dos resÃduos”, descreve a CCDR-N.
Para levar a cabo a extensão da empreitada, o Governo, através de uma resolução do Conselho de Ministros publicada a 27 de janeiro no Diário da República, autorizou a dotação de dois milhões de euros.
Até à data, foram removidas das antigas minas de São Pedro da Cova 275.300 toneladas de resÃduos perigosos, num investimento superior de 27 milhões de euros, financiados pelo Fundo Ambiental e por fundos comunitários.
O Laboratório Nacional de Engenharia Civil (LNEC) é a entidade responsável pelos estudos de medição e caracterização dos resÃduos perigosos.
A remoção destes resÃduos naquela freguesia do concelho de Gondomar, distrito do Porto, começou em outubro de 2014, mais de 10 anos depois do depósito, numa fase inicial que terminou em maio do ano seguinte, com a retirada das primeiras 105.600 toneladas.
Ao longo dos anos, esta situação motivou perguntas e requerimentos de partidos polÃticos, bem como iniciativas locais como vigÃlias, concentrações e protestos, e o envio ao primeiro-ministro, António Costa, de milhares de postais com a frase “Remoção total dos resÃduos perigosos em São Pedro da Cova já”, acompanhada de imagens a simbolizar sinais de perigo.
A 26 de novembro do ano passado, em visita ao terreno, o então ministro do Ambiente, Matos Fernandes, garantiu que a operação de remoção dos resÃduos perigosos só terminará assim que tudo for retirado.
“Vai sair tudo deste local. São 160 mil toneladas. Só sairemos daqui quanto tiver saÃdo tudo. Já vimos no mapa, num só lote havia seis parcelas onde havia esses resÃduos. Em cinco, eles já estão completamente removidos e esta, atrás de nós onde estão as máquinas a trabalhar, é mesmo a última”, garantia, à data, o governante.
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