
Pequim, 10 mai 2022 (Lusa) — A estratégia de tolerância zero à covid-19 da China “não é sustentável”, advertiu hoje o chefe da Organização Mundial da Saúde (OMS), à medida que o paÃs insiste em medidas cada vez mais severas para conter o vÃrus.
“Não achamos que a estratégia de ‘zero covid’ seja sustentável, considerando o comportamento atual do vÃrus e o que prevemos no futuro”, disse Tedros Adhanom Ghebreyesus, em conferência de imprensa.
“Discutimos esta questão com especialistas chineses e indicamos que a abordagem não é sustentável (…) acho que uma mudança seria muito importante”, acrescentou.
O diretor de emergências da OMS, Michael Ryan, disse também que está na altura de a China repensar a sua estratégia, defendendo que quaisquer medidas para combater a pandemia devem mostrar o “devido respeito pelos direitos individuais e humanos”.
“Precisamos equilibrar as medidas de controlo com o impacto na sociedade e na economia, e isso nem sempre é um equilÃbrio fácil”, argumentou.
A China continua a praticar uma polÃtica de ‘tolerância zero’ à covid-19, que inclui o isolamento de cidades inteiras e a realização de testes em massa, sempre que um surto é detetado.
O isolamento de Xangai, a “capital” financeira do paÃs, e de importantes cidades industriais como Changchun e Cantão, tiveram forte impacto nos setores serviços, manufatureiro e logÃstico.
Também Pequim, Suzhou, Shenzhen, Dongguan, que desempenham um importante papel na cadeia industrial do paÃs, foram afetadas por medidas parciais ou totais de confinamento este ano.
As reclamações sobre a inconveniência causada pelas medidas antiepidémicas aumentaram.
Um consultor português radicado na capital chinesa, que prefere não ser identificado, disse à Lusa ter recebido ordem para ficar em casa nos próximos 17 dias, após um morador no seu condomÃnio ter testado positivo.
O condomÃnio, situado na zona oeste de Pequim, é composto por 12 prédios e abriga mais de cinco mil pessoas. Todos os moradores vão ter que cumprir quarentena e serão sujeitos a seis rondas de testes.
Grades foram colocadas em torno dos edifÃcios, para impedir a saÃda dos moradores, segundo fotografias partilhas pelo consultor.
“Todos os prédios foram barricados, apesar de apenas num edifÃcio existir um morador que testou positivo”, descreveu. “Isto faz algum sentido?”, questionou.
No final da semana passada, a China declarou novamente que iria continuar com a estratégia de medidas rÃgidas no combate ao vÃrus, considerada um “trunfo importante” do paÃs contra a pandemia, apesar da frustração crescente em Xangai, onde vários residentes confinados vão protestando contra as regras, batendo com panelas e frigideiras nas janelas.
Incólume nos últimos dois anos pandémicos, o gigante asiático enfrenta agora o pior surto desde a primavera de 2020, tendo sido identificados hoje 357 novos casos positivos e seis mortes.
O número total de contágios ativos na China continental subiu para 8,068, entre os quais 511 em estado grave.
Desde o inÃcio da pandemia, o paÃs registou 220.397 casos de covid e 5.191 mortes devido ao vÃrus.
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