
Ancara, 09 mai 2022 (Lusa) — O Presidente da Turquia aproveitou hoje o Dia da Europa para propor à União Europeia que “escreva uma nova história para si mesma”, considerando, num tom crÃtico, que o bloco comunitário se está a afastar dos seus “valores fundamentais”.
“Chegou o momento para a União Europeia (UE), que se afastou dos seus valores fundamentais e esteve nos últimos anos sob a influência das polÃticas a curto prazo dos seus Estados-membros, escrever uma nova história para si mesma com a guerra da Ucrânia”, afirmou Recep Tayyip Erdogan.
“Hoje, esta tragédia que decorre no centro da Europa perante o mundo inteiro é uma advertência para a UE”, acrescentou o Presidente islamista conservador.
Ao acentuar a importância do seu paÃs para a UE e na região, o Presidente turco sublinhou a necessidade “de solidariedade, cooperação e, sobretudo, de uma perspetiva visionária e corajosa, como no perÃodo em que se assentaram as bases da integração europeia”.
“Os efeitos negativos da guerra na Ucrânia, que atingiram dimensões mundiais, confirmam uma vez mais a importância estratégica da Turquia para a UE em muitas áreas, em particular em termos de segurança, migração, cadeias de aprovisionamento e energia”, assegurou Erdogan, que reiterou a determinação do seu paÃs no processo de adesão plena à União.
As negociações entre Bruxelas e Ancara para integração na UE iniciaram-se em 2005, mas encontram-se bloqueadas há vários anos face à deriva autoritária do Governo de Erdogan.
Em simultâneo, o chefe de Estado turco prometeu ainda hoje que não reenviará à força para o paÃs de origem os mais de 3,6 milhões de refugiados sÃrios acolhidos na Turquia.
“Protegeremos até ao fim os nossos irmãos expulsos da SÃria pela guerra (…). Nunca os expulsaremos deste solo”, declarou, ao denunciar as sugestões dos dirigentes da oposição que vêm exigindo o reenvio dos sÃrios para o seu paÃs, vizinho da Turquia.
Diversos partidos da oposição têm apelado com insistência ao reenvio de milhões de refugiados para a SÃria.
Na semana passada, o Partido Republicano do Povo (CHP, principal força da oposição), assegurou que caso alcance o poder nas legislativas e presidenciais de 2023, todos os sÃrios deverão deixar a Turquia “em dois anos”.
Na mesma ocasião, o chefe de Estado turco anunciou que preparava “o regresso de um milhão” de sÃrios para o paÃs de origem, de forma voluntária, e o financiamento de alojamentos e estruturas adaptadas no noroeste da SÃria, a última região do paÃs que escapa ao controlo de Damasco, com o apoio de organismos internacionais.
Desde 2016 e o inÃcio das operações militares turcas na SÃria, cerca de 500.000 sÃrios regressaram a estas “zonas de segurança” estabelecidas por Ancara ao longo da sua fronteira, segundo Erdogan.
A Turquia acolhe um total de cerca de cinco milhões de refugiados, em particular sÃrios e afegãos, nos termos de um contrato assinado com a UE em 2016.
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