Cinco países ocidentais e Kiev cooperam na investigação a crimes de guerra na Ucrânia

Washington, 05 mai 2022 (Lusa) – Altos funcionários da justiça de cinco países ocidentais, incluindo dos Estados Unidos, discutiram com a Procuradora-Geral da Ucrânia formas de investigar alegados crimes de guerra cometidos na Ucrânia pela Rússia, informou hoje o Departamento de Justiça norte-americano.

Estes funcionários dos países que formam a chamada aliança “Five Eyes” – Estados Unidos, Reino Unido, Canadá, Austrália e Nova Zelândia – falaram quarta-feira com a Procuradora-Geral Iryna Venediktova, numa altura em que Kiev quer agir em relação a milhares de alegados crimes de guerra.

Os seis “discutiram a coordenação dos seus esforços para responsabilizar aqueles cujos atos criminosos permitem crimes de guerra na Ucrânia”, referiu o Departamento de Justiça dos EUA em comunicado.

“O compromisso de trabalharmos com os nossos parceiros internacionais, incluindo a Procuradora-Geral da Ucrânia, para investigar e processar os responsáveis por atrocidades na Ucrânia, permanece firme”, garantiu o Procurador-Geral dos EUA, Merrick Garland.

Na semana passada, Iryna Venediktova disse à emissora de televisão e rádio alemã Deutsche Welle que os investigadores ucranianos identificaram “mais de 8.000 casos” de alegados crimes de guerra desde o início da invasão russa.

Incluem “a morte de civis, o bombardeamento de infraestruturas civis, tortura” e “crimes sexuais” relatados no “território ocupado da Ucrânia”, segundo a magistrada. Os procuradores estão também a investigar “o uso de armas proibidas”, acrescentou.

O Departamento de Justiça dos EUA disse que Garland também informou os seus interlocutores sobre os esforços dos EUA para penalizar os oligarcas que apoiam o Presidente russo, Vladimir Putin, e os 33 mil milhões de dólares em novas ajudas à Ucrânia que a Casa Branca pediu ao Congresso.

Também participaram na reunião, por videoconferência, a britânica Suella Braverman, a australiana Michaelia Cash, o canadiano David Lametti e o neozelandês David Parker.

A Rússia lançou em 24 de fevereiro uma ofensiva militar na Ucrânia que já matou mais de três mil civis, segundo a ONU, que alerta para a probabilidade de o número real ser muito maior.

A ofensiva militar causou a fuga de mais de 13 milhões de pessoas, das quais mais de 5,5 milhões para fora do país, de acordo com os mais recentes dados da ONU.

A invasão russa foi condenada pela generalidade da comunidade internacional, que respondeu com o envio de armamento para a Ucrânia e o reforço de sanções económicas e políticas a Moscovo.

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