
Estrasburgo, 03 mai 2022 (Lusa) — A comissária europeia da Energia, Kadri Simson, disse hoje que a prioridade da União Europeia (UE) é aumentar as interligações elétricas e não as de gás, admitindo que a PenÃnsula Ibérica “não está suficientemente conectada” ao resto da Europa.
“Portugal e Espanha, de facto, não estão suficientemente conectadas, mas eu neste momento daria prioridade à s conexões de eletricidade”, respondeu Kadri Simson à s questões da eurodeputada portuguesa Maria da Graça Carvalho, no plenário do Parlamento Europeu, em Estrasburgo, França, sobre a hipótese de construção de um gasoduto que ligue a PenÃnsula Ibérica a França, através dos Pirinéus.
Para a comissária europeia, é necessário começar a pensar no próximo inverno e, por isso, a construção de um gasoduto pode ser demasiado lenta para satisfazer as necessidades energéticas do próximo inverno, numa altura em que a União Europeia está a envidar esforços para diminuir a dependência energética da Rússia.
Temos de aumentar a produção de gás ‘limpo’ aqui na Europa e sempre que pudermos produzir eletricidade, evitando o gás natural como fonte, é isso que deveremos fazer”, acrescentou Kadri Simson.
A comissária explicou que, atualmente, está a ser feito um mapeamento das interligações energéticas na União Europa, no sentido de encontrar alternativas ao gás russo, uma vez que, sublinhou, após o corte de abastecimento da Rússia à Polónia e Bulgária, “qualquer paÃs” poderá ser o próximo a sofrer o mesmo.
“Eu acho que as interligações elétricas são também uma prioridade. […] Todos os participantes no mercado irão beneficiar destas situações em que a eletricidade poderá chegar a preços acessÃveis”, vincou a comissária.
No debate intitulado “Autonomia Energética da Europa: a Importância Estratégica das Renováveis, das Interligações da Energia e da Eficiência”, proposto pela delegação do PSD no Parlamento Europeu, Kadri Simson destacou a necessidade de substituir os combustÃveis fósseis por energia de fontes renováveis.
“Não estou aqui a dizer que as importações dos nossos parceiros fiáveis sejam uma ameaça para nós, mas se pudermos substituir as importações russas com a nossa própria produção, isto é ótimo para as nossas economias”, apontou a comissária.
Para Simson, “há formas de substituir rapidamente o consumo de combustÃveis fosseis, por renováveis”, sendo que dentro de duas semanas será apresentado o plano detalhado do RePowerEU, sobre como se vai substituir até ao final do ano dois terços do gás russo e atingir a total independência energética da Rússia até ao final da década.
“Temos de trazer de novo para a União Europeia a nossa produção, para não estarmos a passar de uma dependência para outra”, frisou.
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